15 janeiro 2012
15/365
Rita
No Pier 21.
- Pronto, perguntei se a gente podia pagar depois de comer.
- Imbecil. Idiota. Por que foi perguntar?
Não entendia a reação grosseira. A mãe era tudo pra ela. Mesmo sendo adolescente, não dava trabalho. Ajudava a cuidar da irmã temporã. Há pouco, a menina tentava tirar a fralda, na frente de todo mundo, e a mãe se servia.
- Hein, imbecil, responde. Burra!
(Rita calada)
- Idiota... não sei por que ainda saio com vocês duas. Perguntar coisas pra uma mulher. Uma mulher desconhecida. Eu mandei você perguntar? Mandei, hein?
(Rita calada)
- Trouxa, babaca. Eu perdi a fome. Vou pro carro.
(Rita olha assustada)
- Imbecil.
Não chora. Termina o prato calada. Não sabe como vai pagar a conta. Ou como vai levantar e ir embora sem ser percebida. Come toda a salada.
14 janeiro 2012
14/365
Elisabeth
Acorda. Escova os dentes. Banho rápido; café com toalha. A roupa foi escolhida na noite anterior. Creme, maquiagem, desodorante. Tudo cronometrado. Ao entrar no carro, as ligações começam: secretária, banco, filha, mãe, namorado. O amor não é prioridade. Chega ao banco, lê todos os jornais, analisa as taxas do Bacen, especula, sugere, opina. A secretária lembra que tem dentista às 11h. Manda cancelar, adiar. Café. A secretária telefona na hora do lanche. Na hora do almoço. Na hora do outro lanche. Jantarão juntas. O namorado telefona. Não atende. Taxas, investimentos, câmbio. Retorna a ligação e – sem ouvi-lo – pede que ele escolha o destino das férias. Tem que desligar. Entrevista um candidato à sua equipe. Café. Não tem tempo de imaginar praia. Delega. Filha, não posso falar agora, amor. Continue amamentando, sempre que ele chorar. Ouve o neto ao fundo. Desliga. Volta para casa. Jantar com a secretária, passar a agenda de amanhã. A mãe telefona, aconselha: diminua o ritmo. A roupa do outro dia já está escolhida. Demaquilante, banho, dentes. Duas pílulas milagrosas. Dorme.
13 janeiro 2012
13/365
Dorinha Landir
Por um rápido instante, se permitiu imaginar-se no lugar de Sheila, que lhe arrancava as cutículas. Atenderia mais duas ou três clientes. Na volta para casa, saltaria do ônibus sujo e lotado, passaria na padaria e compraria – fiado – um pacote de pão. O marido seria um desempregado barrigudo e nojento, os filhos catarrentos? Chega. Melhor voltar ao pensamento das joias que pretendia comprar, do novo carro, dos vestidos. O marido cheiroso, os filhos educados e brilhantes. Pediu champanhe à gerente do lugar – o nome lhe fugiu – e foi prontamente atendida. Melhor levantar o queixo, evitar olhar os olhos de Sheila, imaginar um pagode de laje. Isso nem deve existir, apostava. Já com os cabelos no lavatório, telefonou para Araci e, ao instruí-la sobre o jantar, ouviu um verbo mal conjugado. De onde vinha essa pobreza de espírito? Essa falta de noção? Nunca deve ter estudado, coitada. Ainda hoje, com seu salário irrisório, deve ter dificuldades para fechar o mês com as contas em dia. Era viúva e sustentava dois filhos e um neto. Pegava quatro ônibus todo dia. Chega. Saiu do salão. Só restava se certificar de que deveria reservar-se calada, desde o entrar no carro até chegar aos jardins da mansão. E subir o vidro rapidamente para evitar qualquer conversinha sem propósito do Jair, que começaria com um “boa tarde, madame”.
Dorinha Landir
Por um rápido instante, se permitiu imaginar-se no lugar de Sheila, que lhe arrancava as cutículas. Atenderia mais duas ou três clientes. Na volta para casa, saltaria do ônibus sujo e lotado, passaria na padaria e compraria – fiado – um pacote de pão. O marido seria um desempregado barrigudo e nojento, os filhos catarrentos? Chega. Melhor voltar ao pensamento das joias que pretendia comprar, do novo carro, dos vestidos. O marido cheiroso, os filhos educados e brilhantes. Pediu champanhe à gerente do lugar – o nome lhe fugiu – e foi prontamente atendida. Melhor levantar o queixo, evitar olhar os olhos de Sheila, imaginar um pagode de laje. Isso nem deve existir, apostava. Já com os cabelos no lavatório, telefonou para Araci e, ao instruí-la sobre o jantar, ouviu um verbo mal conjugado. De onde vinha essa pobreza de espírito? Essa falta de noção? Nunca deve ter estudado, coitada. Ainda hoje, com seu salário irrisório, deve ter dificuldades para fechar o mês com as contas em dia. Era viúva e sustentava dois filhos e um neto. Pegava quatro ônibus todo dia. Chega. Saiu do salão. Só restava se certificar de que deveria reservar-se calada, desde o entrar no carro até chegar aos jardins da mansão. E subir o vidro rapidamente para evitar qualquer conversinha sem propósito do Jair, que começaria com um “boa tarde, madame”.
12 janeiro 2012
12/365
Flaviane
A analista queria inovar. Queria ir além de Freud e seus sucessores. Botou duas pacientes, desconhecidas entre si, para conversar. “Coisa estranha, o que ela quer com isso?”, e a outra respondia “e eu que sei? Essa mulher é louca”. Ela observava primeiro sem ser vista. Depois, passou a ficar na sala, postada atrás dos dois divãs paralelos. Era interessante, mas ela ainda não conseguia concluir nada – um experimento sem objetivo e sem hipóteses. E as duas passaram a sair de si, deixaram de falar dos seus próprios problemas ao léu, para ouvir e aconselhar a outra. Mais adiante, perderam o interesse por essa conversa solidária. E foi surpreendente para Flaviane ouvir especulações/suposições/verdades sobre si. “Hum, não te contei. Ela tem um namorado lindo, mas nem liga pra ele. Esnoba, sabe?” e a outra comentava “não consigo entender como alguém poderia tratar uma pessoa próxima com descaso. E nem bonita ela é. Deve ser doente”. E as sessões duravam mais, muito mais do que um bom filme.
11 janeiro 2012
11/365
Laura
Tinha pezinhos de anjo, menores que os da maioria das crianças da mesma idade. Mas era geniosa. Cada birra resultava em valiosos olhares permissivos e, às vezes, doces (além do pedido objeto do show). Não se tratava de falta de educação, diziam os pais e atestava a psicopedagoga, mas de personalidade. Um grito no supermercado, um escândalo na casa dos parentes, um choro desnecessário por uma boneca nova – tudo seria pouco, quase nada, diante do dinheiro que a pequena renderia. Os sonhos do casal – primeiro era casar, ter dinheiro para alugar um apartamento na Asa Sul, comprar um carro semi novo e planejar a chegada da princesa – agora se resumiam em quitar dívidas, equilibrar os gastos, sair do vermelho. Com um comercial de TV feito e já matriculada em teatro e sapateado, mal sabia a ordem do alfabeto. Investimento. Os olhos dos pais brilhavam de orgulho.
10 janeiro 2012
10/365
Wanda
Gostou do primeiro capítulo da novela com a Marília Pera. Era fã. Mas era raro isso acontecer, uma novela ser boa logo no início. O jornal começou e ela foi esquentar o arroz, fritar o ovo – o último – para o Juarez. Achava ele um filho da puta de marca maior, mas acreditava que mãe e mulher sempre ficam em segundo, terceiro, quarto lugar. Se tem um ovo só, é do homem da casa. Se são dois, era um dele e um do menino. O terceiro é que seria o dela. Ontem, o vizinho caminhoneiro entrara num buraco que quase cobriu todo o veículo. A esposa ficara louca, puxando os cabelos, mas ele saiu nadando. Um buraco sem sentido. Ela consolou a vizinha. Também ontem, tentou pela terceira vez confirmar a matrícula do menino, sem sucesso. Só vai ter outro dia útil de folga semana que vem. Hoje fez faxina na casa da dona Liduína, no Guará. Machucara o joelho, de novo. Não sabe como será amanhã, na casa da dona Viviane. O ovo frito, voltou à geladeira. Resto de arroz e cenoura. Aproveitou o óleo do ovo do Juarez. Fez um mexido pra ela e pro menino. Estranho a prioridade ser de um filho da puta desses. Mas não ia reclamar, estava feliz com a novela. Se o primeiro capítulo já foi bom, imagine os próximos.
09 janeiro 2012
9/365
Rosa
Já contabilizava oito anos na profissão. Muitas aulas dadas e especializações com os profissionais mais renomados de todo o mundo. E agora, depois de vender seu curso em um site de compras coletivas, batera todos os recordes: três a quatro aulas diárias, cada uma com três horas de duração. Mas ela nunca havia passado por uma situação assim. Nunca, nunquinha. Nada perto disso. Explicações demais. Enquanto ensinava pacientemente as alunas a delinear os olhos, deixou escapar o pior e mais estarrecedor peido de sua vida. As que estavam próximas notaram, chegaram a contorcer o rosto ou sorrir. Iam borrar a maquiagem, essas ridículas. Sentiu ódio delas e anunciou: vou lavar as mãos, caiu base e sombra líquida aqui, posso manchar o rosto. Explicações demais. Foi ao banheiro e lá ficou por mais de dez minutos. Ao retornar, observou o olhar das alunas. Claro que elas sabiam. Fez outro anúncio: o cano da torneira soltou, está tudo molhado, não vão lá, ok? Explicações demais. Seguiu com o curso, rubra, sem blush.
08 janeiro 2012
8/365
Danila
Deprimida, Danila assistia ao Fabuloso Destino de Amélie Poulain e chorava em bicas. Queria ser inocente. Ao menos na relação com a Natália, que era a mais desencanada das meninas de sua vida. Queria também que a Natália fosse inocente. Danila queria ser pura também no seu empreguinho de bosta – apesar de ser muito capaz e ambiciosa. Queria não ser mais ambiciosa; queria que ninguém mais tivesse ambição. Queria ter uma mobilete e até uma amiga aeromoça pra reavivar a fantasia do seu paizinho, que sofria a morte de sua última esposa há mais de seis anos. Queria morar na europa, que todos conhecessem Paris, e ser garçonete e escrever o cardápio ao contrário no vidro, sem ter medo, raiva, receio ou rancor de nada. Queria armar situações para a alegria dos outros, só pra deixar de ver gente tão deprimida. Mas desejava copiosamente que alguém se ocupasse da alegria dela, inocentemente.
07 janeiro 2012
7/365
Márcia Carolina
Márcia Carolina Coutinho Lima. Nascimento: 12 de janeiro de 1986. Natural de São José do Ribamar-MA. Solteira, sem filhos. Reside em São Luís. Disponibilidade para viagens. Experiências profissionais: parte administrativa de corretora de seguros – 4 meses; secretária de cirurgião dentista – 2 meses; assistente de limpeza na prefeitura de São Luís – 1 ano e 7 meses; estágio no SENAC – 6 meses. Cursos: Inglês – básico; Informática – básico (word e excel); Curso de brigadista – trancado; Curso de cabeleireira e manicure; Curso de camareira. Comunicativa, escreve bem, lê à noite antes de dormir. Esperta. Pretende ingressar no curso de Gestão Empresarial – noturno ainda em 2012 e tirar carteira de motorista. Não tem medo de trabalho. Boa aparência. Gosta de viajar e conhecer pessoas. Precisa pagar o aluguel.
06 janeiro 2012
6/365
Tânia
“Tudo certo”. Depois de conferir quatro vezes a autenticidade das cédulas, Tânia as enrolou e enfiou no sutiã. Entre o suspiro de alívio pelo ateste e o movimento automático de acesso ao seu cofre orgânico suado, pegou a bic e o boleto. Era muito dinâmica, apesar do alto percentual adiposo. “Vai ser o quê?” O cabra não sabia. Nunca vira homem tão enrolado; os olhos dele corriam pelo entorno dela – a banqueta, os azulejos antigos do comércio fechado, os restos de cartazes na parede, o vira-lata. “Cachorro”. De repente deu pra falar firme. “Cadela”. E Tânia estranhou, mas nem teve tempo de raciocinar e, até antes de ouvir a ordem de pôr as mãos na cabeça, já deixava à mostra os sovacos. Sensação de água gelada pelo corpo, de cérebro raciocinando rápido, trazendo opções e decisões, ao mesmo tempo. Ficaria calada – por direito – até a presença do advogado (que advogado ela conhecia, meu deus?). Mas quando abrisse o bico ia levar até os famosos mais honrados com ela. Os PF tinham algo de inocentes, pensou, pois comemoram feito crianças a prisão de uma pobre coitada. Até ouviu um deles dizer: “o jogo perdeu uma leoa das grandes”. Coitados, e não conteve o riso, ela não passara de hiena.
05 janeiro 2012
5/365
Luísa
Ouvia o seu velho tagarelar por todo o caminho da casa dos tios. Os fones ele já tinha puxado. Os pais perdem tempo demais com bla bla blá, pensava. Antes mesmo que ele se desse conta, ela já tinha aprendido a lição: não é legal bater boca com a avó. O seu nome completo ela ouvira vinte mil vezes até ali. “Você tem que ter consciência, tá ouvindo, mocinha?, que a sua avó não está conosco, nós é que estamos na casa dela; se ela disser que você não vai tomar o suco especial dos infernos que ela comprou, você não vai tomar, entendeu?”. Tudo por causa de uma caixa de suco artificial, com substâncias bioativadoras para fortalecer os ossos. Recomendação médica. Queria responder ao pai que tem achado seus ossos meio moles, ultimamente, o que tem até dificultado a educação física. Mas tinha medo de levar uma chapuletada na boca. Respondona, ele diria. Maleducada, ele diria. Devia elevar seus pensamentos, exercitar a paciência – com o pai e com a avó –, a compreensão, a solicitude, a compaixão, o amor. Lembrou do Gustavo Peixoto. E sorriu – o pai estranhou – ao pensar no seu cenário futuro favorito: os dois velhinhos (mas Gustavo com o mesmo penteado de hoje), com aliança grossa no dedo, provavelmente tomando suco especial para os ossos e repreendendo um ou outro neto.
04 janeiro 2012
4/365
Carmem
Voltou ao trabalho. Fazia – por gentileza – o levantamento de alguns dados para o relatório da colega, porque obviamente não tinha nada para fazer. Muito correta, muito séria, muito comprometida, logo arrumou memorandos e avisos a fazer. Milena, você está muito ocupada? Desculpe, é que não posso mais tratar dos seus números para o relatório – com um sorriso entredentes. Não haveria problema. Milena retomaria o trabalho. Mas, antes que ela se esquecesse: Milena, querida, amanhã você poderia revisar meus memorandos e avisos, quando eu acabar? É que o chefe vai querer ver e sabe-se lá, não é? Milena piscou marotamente para Carmem, pegou a bolsa e foi embora. Aquele código todos bem conheciam. Carmem chegou a sentir vergonha, mas depois relaxou. Relatórios, memorandos, avisos. Quem saberá quando e como ficam prontos?
03 janeiro 2012
3/365
Isabel
Como alguém poderia saber? Meu vizinho, seu Júlio da padaria, Márcia do sacolão. Mas hoje todos me olharam diferente. A cada “Bom dia, dona Isabel” pelo caminho eu me sentia denunciada. A roupa era a mesma – da caminhada diária. Quando cheguei à porta do prédio, parei antes de entrar. Olhei em volta. Nenhum conhecido. Cronometrei o tempo. Não poderia demorar mais que o regulamentar da caminhada. Os rapazes muito simpáticos me receberam, preenchi a ficha, conheci as instalações. “A senhora já começa hoje?”. Olhei para o relógio. “Sim, acho que dá tempo. Quinze minutinhos, tá?”. Ele me colocou num aparelho enorme, com luzes piscando, números. Comecei minha caminhada artificial. Hoje, excepcionalmente, mais curta. Blindada do cheiro da rua, do sol e da chuva, dos “Bom dia, dona Isabel”, dos vigias incansáveis. Evitei o espelho, certa de que me sentiria como uma daquelas moças dali: finas, magras, com longos cabelos e roupas de grife. E me senti. Era ali que eu queria ficar todas as minhas manhãs. Sem que ninguém soubesse.
Isabel
Como alguém poderia saber? Meu vizinho, seu Júlio da padaria, Márcia do sacolão. Mas hoje todos me olharam diferente. A cada “Bom dia, dona Isabel” pelo caminho eu me sentia denunciada. A roupa era a mesma – da caminhada diária. Quando cheguei à porta do prédio, parei antes de entrar. Olhei em volta. Nenhum conhecido. Cronometrei o tempo. Não poderia demorar mais que o regulamentar da caminhada. Os rapazes muito simpáticos me receberam, preenchi a ficha, conheci as instalações. “A senhora já começa hoje?”. Olhei para o relógio. “Sim, acho que dá tempo. Quinze minutinhos, tá?”. Ele me colocou num aparelho enorme, com luzes piscando, números. Comecei minha caminhada artificial. Hoje, excepcionalmente, mais curta. Blindada do cheiro da rua, do sol e da chuva, dos “Bom dia, dona Isabel”, dos vigias incansáveis. Evitei o espelho, certa de que me sentiria como uma daquelas moças dali: finas, magras, com longos cabelos e roupas de grife. E me senti. Era ali que eu queria ficar todas as minhas manhãs. Sem que ninguém soubesse.
02 janeiro 2012
2/365
Vinólia
Na avaliação de Joel, Sandro e Inácio, dona Vinólia começou cedo. Em plena segunda-feira, às 11h, ela estava na terceira garrafa e já revirava os olhos e a língua. Na cozinha, frango cru semi temperado, uma cebola cortada ao meio, faca suja, arroz lavado na peneira. Resquícios interminados de um dia que aparentemente se iniciara certo, cotidiano.
Os rapazes aportavam na casa da mãe diariamente para filar o almoço antes do serviço. Mas hoje não haveria o que comer. Dona Vinólia já não respondia pelos quitutes que planejara preparar. Surrupiava a atenção dos três, atônitos, quando tentava pronunciar qualquer coisa ou ensaiava assoviar. Que fossem ao inferno os filhos imbecis. Que a deixassem ali, aposentada deles, desquitada do trabalho e viúva de sua razão. Hoje, Vinólia se escondeu da saudade, com cerveja.
01 janeiro 2012
1/365
Nair
Nair prepara o jantar. Pela manhã, levou as meninas para brincar no foguete do Parque. As duas bonitinhas descansavam as pernas grossas no sono vespertino. O cheiro de bisteca invade o apartamento recém-comprado. Nair se pega divagando se cheiros fortes assim entram no taco da sala e ali se instalam para sempre. Passam a fazer parte da história do lugar. Aqui deve haver registro de frangos, carnes, doces de tacho – alguém faria doce de tacho em um apartamento tão pequeno? – e também de produtos de limpeza inadequados. Aqui e ali se vê uma pequena mancha.
As meninas acordam. A mãe tem que banhá-las, banhar-se e vigiar o fogo. São poucas horas até o primeiro jantar do ano. Nair desperta do pensamento sobre os tacos. A caminho do varal, para pegar as toalhas, faz uma resolução que considera genial: preparará um doce de abóbora este ano. No tacho.
31 dezembro 2011
21 dezembro 2011
14 dezembro 2010
Princesa
O que há de beleza em uma princesa com o fiofó tomado por hemorróidas? Os longos cabelos louros, esvoaçando numa ventania ritmada pelo vai-e-vem do ventilador, são o contraste com o rosto triste e contrariado pela fisgada interna. Quase prazerosa de tão dolorida.
Revista Alfa
Interessante a recém lançada revista Alfa, da editora Abril. Segundo uma amiga, uma "Marie Claire para homens", mas eu acho até menos que isso. Interessante e só, sem grandes novidades. Mas terríveis foram duas colunas que li na edição de novembro, em 'Confissões': "Não seja uma vítima da mulher-vítima", de Tati Bernardi, e "Sinfonia no colchão", de Kika Salvi. A primeira é uma ridícula tentativa de ser solidária aos homens, na sua tortuosa relação com esses seres tão difíceis, as mulheres. Oh! A segunda é fantástica: um NÃO aos gritos na hora do gozo. A (pudica) autora chega a confessar: "eu não sou do tipo barulhenta". E, especialista em sexo/corpo/tesão/etc., diagnostica: "não há relação entre prazer e sonoridade. Muita gritaria indica justamente o contrário". E não conseguiu sustentar esse "contrário" no texto. Fiquei de cara. Aí eu pergunto pra minha amiga lá de cima: "Marie Claire ou Nova???".
O que há de beleza em uma princesa com o fiofó tomado por hemorróidas? Os longos cabelos louros, esvoaçando numa ventania ritmada pelo vai-e-vem do ventilador, são o contraste com o rosto triste e contrariado pela fisgada interna. Quase prazerosa de tão dolorida.
Revista Alfa
Interessante a recém lançada revista Alfa, da editora Abril. Segundo uma amiga, uma "Marie Claire para homens", mas eu acho até menos que isso. Interessante e só, sem grandes novidades. Mas terríveis foram duas colunas que li na edição de novembro, em 'Confissões': "Não seja uma vítima da mulher-vítima", de Tati Bernardi, e "Sinfonia no colchão", de Kika Salvi. A primeira é uma ridícula tentativa de ser solidária aos homens, na sua tortuosa relação com esses seres tão difíceis, as mulheres. Oh! A segunda é fantástica: um NÃO aos gritos na hora do gozo. A (pudica) autora chega a confessar: "eu não sou do tipo barulhenta". E, especialista em sexo/corpo/tesão/etc., diagnostica: "não há relação entre prazer e sonoridade. Muita gritaria indica justamente o contrário". E não conseguiu sustentar esse "contrário" no texto. Fiquei de cara. Aí eu pergunto pra minha amiga lá de cima: "Marie Claire ou Nova???".
20 agosto 2010
Um oi lerdo, lento, de ré
Nenhum elogio à preguiça, já mais que homenageada pela minha ausência. Apenas algumas boas notícias:
Li Comer rezar amar, de Elizabeth Gilbert. E não me interessam as opiniões daqueles que usam loção anti-best seller: adorei.
Na próxima terça, 24/8, às 19h, Marcelo Sahea lança Nada a dizer, com direito a performance. Será na galeria Objeto Encontrado (102 Norte).
Estão abertas as inscrições para o 1° Concurso Literário de Crônicas, Cartas e Trovas, da editora Guemanisse. Informações em http://www.guemanisse.com.br/.
Neste momento (21h do dia 20/8), está sendo lançado no Carpe Diem (104 Sul) o livro Gênero e feminismos: convergências (in)disciplinares, organizado por Valeska Zanello, Cristina Stevens, Tânia Almeida e Kátia Brasil. Nele, texto da amiga e ídola Gislene Barral, além de outras pesquisadoras phodas.
Um conto meu foi selecinado num concurso interno da Caixa Econômica, para ser publicado em livro. Chama-se "Tempo".
Li Alameda Santos, da Ivana Arruda Leite. Ela continua phoda e eu continuo adorando o que ela escreve.
Estou lendo dois livros do psicanalista Flávio Gikovate.
Nenhum elogio à preguiça, já mais que homenageada pela minha ausência. Apenas algumas boas notícias:
Li Comer rezar amar, de Elizabeth Gilbert. E não me interessam as opiniões daqueles que usam loção anti-best seller: adorei.
Na próxima terça, 24/8, às 19h, Marcelo Sahea lança Nada a dizer, com direito a performance. Será na galeria Objeto Encontrado (102 Norte).
Estão abertas as inscrições para o 1° Concurso Literário de Crônicas, Cartas e Trovas, da editora Guemanisse. Informações em http://www.guemanisse.com.br/.
Neste momento (21h do dia 20/8), está sendo lançado no Carpe Diem (104 Sul) o livro Gênero e feminismos: convergências (in)disciplinares, organizado por Valeska Zanello, Cristina Stevens, Tânia Almeida e Kátia Brasil. Nele, texto da amiga e ídola Gislene Barral, além de outras pesquisadoras phodas.
Um conto meu foi selecinado num concurso interno da Caixa Econômica, para ser publicado em livro. Chama-se "Tempo".
Li Alameda Santos, da Ivana Arruda Leite. Ela continua phoda e eu continuo adorando o que ela escreve.
Estou lendo dois livros do psicanalista Flávio Gikovate.
Assinar:
Postagens (Atom)