30 dezembro 2006

Incentivo macro à criação literária

Foi dado o primeiro passo para se estabelecer uma política pública de incentivo à produção literária. Esta semana, tive acesso ao relatório da primeira reunião entre Ministério da Cultura, escritores, produtores e críticos, e a discussão parece ter sido bem conceitual - o que é importante, já que a idéia é construir algo sólido e efetivo. O documento mostra debates sobre o movimento Literatura Urgente, a utilização dos termos criação e produção, a liberdade e autonomia do escritor, o foco nos consagrados ou inéditos etc. Interessados em conhecer a íntegra do relatório podem me enviar e-mail. Abaixo, transcrevo as diretrizes constantes do documento que vão embasar as ações futuras do grupo.

FOMENTAR A LITERATURA BRASILEIRA

1. Promover a diversidade literária, entendida como alargamento dos horizontes expressionais, abertura ao experimentalismo formal, proliferação de gêneros e possibilidade de afirmação de particularismos estéticos ou identitários, segundo critérios gerais válidos para todos os programas apoiados neste setor.
- Garantir que o estímulo alcance uma ampla gama de gêneros literários, desde a poesia e a prosa de ficção até as várias modalidades de prosa não-ficcional (tais como o ensaio, a crítica, a biografia, o memorialismo e o testemunho, por exemplo).
- Incentivar ações nos âmbitos nacional, regional e local; nos dois últimos casos, desdenvolver meios de avaliar a sua replicabilidade em outras partes do país.
- Favorecer os programas que planejem uma ação continuada e assim almejem um acúmulo de respeitabilidade e reconhecimento nos meios literários nacionais.
- Condicionar o apoio público ao estabelecimento de comissões julgadoras formadas de maneira heterogênea, de maneira a assegurar um repertório crítico variado, apto a reconhecer desde a excelência de obras convencionais até a oportunidade de projetos inovadores ou mesmo disruptivos.
- Assegurar que as comissões julgadoras nunca terão menos de três integrantes, que não estejam vinculados, nas suas atividades principais, a uma mesma instituição, e ainda que a renovação periódica delas obedeça a um mecanismo de rotatividade claramente expresso.
- Desenvolver mecanismos de avaliação periódica dos critérios de alocação dos recursos públicos para a produção literária.

2. Valorizar o trabalho dos escritores, seja por meio da transferência de recursos para que se dediquem à produção literária, seja através de concursos e prêmios que projetem a imagem deles na sociedade e lhes confira prestígio e reconhecimento social.
- Apoiar a criação de bolsas de produção literária que envolvam mecanismos de controle e contrapartida não necessariamente vinculados à apresentação de uma obra acabada como produto final, tendo em vista as especificidades da atividade literária e o caráter de estímulo temporário desse tipo de subsídio.
- Assegurar a existência de uma oferta ampla e diversificada de prêmios e concursos literários, organizados segundo critérios amplos e heterogêneos, que contemplem tanto as obras inéditas quanto as já publicadas.
- Buscar a descentralização das propostas e do prestígio literário, de maneira a dar maior visibilidade a escritores residentes em partes do país menos favorecidas pelo mercado editorial e pelos meios de comunicação.
- Privilegiar as ações que favoreçam autores estreantes ou ainda não-consagrados, bem como as que se voltem para a publicação da primeira obra dos ainda inéditos.
- Estimular a proliferação de programas de residência para escritores em universidades de excelência, bibliotecas públicas, instituições de pesquisa ou entidades criadas para esse fim, cuja contrapartida não seja necessariamente a apresentação de uma obra como produto final, mas que beneficiem de maneira objetiva as comunidades ou as atividades das instituições proponentes.

3. Apoiar e planejar diferentes modos de estímulo indireto à produção literária e à atividade dos escritores, de maneira a projetar suas obras na sociedade e aproximá-los do público leitor.
- Promover a realização periódica de feiras do livro e encontros literários, com acondição de oferecerem ao público atividades gratuitas e programação variada que transcenda a mera finalidade comercial e adquira um significado cultural mais efetivo.
- Instituir programas de intercâmbio e / ou itinerância de escritores, dentro e fora do país, neste último caso com ênfase nos países do Mercosul e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
- Planejar a expansão e a otimização dos programas já existentes de subsídio à tradução e à publicação de obras literárias brasileiras no exterior, por iniciativa associada de editoras e tradutores estrangeiros.
- Apoiar a tradução para o português brasileiro e a publicação no Brasil de obras literárias de difícil inserção no circuito editorial, escritas em outras línguas.
- Estimular os modos alternativos de difusão das obras literárias, tais como as editoras cooperativas, os meios online e as publicações impressas ou eletrônicas que seguem o princípio do copyright não-restritivo.
- Estimular um envolvimento maior dos meios de comunicação, por meio de programas de rádio e televisão aberta ou por assinatura que se dediquem à literatura, com a participação de escritores e críticos.
- Estimular a proliferação de revistas literárias impressas ou eletrônicas que representem a atuação de novos escritores, críticos e ensaístas.


Incentivo micro e bem sucedido à leitura

Têm ocorrido em Brasília as Rodas de Contação de Histórias, promovidas pela Círculo de Brasília Editora. Esses espaços prevêem a leitura de textos em português e outras línguas. A última aconteceu no dia 16. O endereço é CLN 406 bloco B sala 34 (subsolo) e entrada é franca. Veja outras informações aqui.

24 dezembro 2006

Concurso para poetas e contistas

O 4° Concurso Literário Guemanisse de Contos e Poesias, promovido pela Editora Guemanisse, está com inscrições abertas até 12 de fevereiro de 2007. As categorias são contos e poesias (óbvio) e qualquer um pode participar (sem livro publicado, sem ISBN, sem amigos na editora etc. etc. etc.). Os contos podem ter até seis páginas e os poemas até duas. O primeiro lugar de cada categoria receberá R$ 3.000. Outras informações e inscrição aqui.

Sem novidades sobre o plano nacional de cultura

Notícia do dia 6 no blog do Alexandre Marino (Arqueolhar, link ao lado): "O Ministério da Cultura divulga nos próximos dias um relatório sobre a Oficina de Produção Literária, promovido pela Secretaria de Políticas Culturais. Nessa primeira reunião, realizada na terça-feira, 5 de dezembro, o ponto de partida das discussões foi o manifesto 'Temos fome de literatura', elaborado há dois anos pelo movimento Literatura Urgente e assinado por grande número de escritores de todas as regiões do País.Os principais pontos do manifesto, debatidos ontem, são o incentivo à criação literária, com medidas como concessão de bolsas, promoção de caravanas de escritores para palestras em universidades, a interferência oficial na deficiente distribuição de livros no Brasil, entre outros assuntos. A reunião foi fechada, mas o escritor mineiro Sérgio Fantini, um dos convidados, revelou a este escriba suas impressões e declarou-se otimista, pela maneira como as discussões estão sendo conduzidas". Até agora, esses próximos dias não chegaram, mas há esperança. Segundo Marino, o objetivo das futuras reuniões é definir propostas para o Plano Nacional de Cultura (PNC). Vamos aguardar...

22 dezembro 2006

Um romance para a nossa geração

Acabo de saber (com certo atraso) que um dos melhores livros da literatura brasileira, Um romance de Geração, de Sérgio Sant'Anna, está sendo filmado. O longa, produção independente, é de David França Mendes e promete arrasar (se usar algo muito inovador pra traduzir a energia e os entrelaçados do livro) ou virar o fiasco do ano (e o risco é grande, porque o livro é muito denso e difícil até de comentar). Mas vamos deixar a crítica para depois. Por enquanto, acompanhe aqui as novidades sobre o filme. E leia o livro, que é coisa de gênio.

TV universitária

Uma matéria do Correio Braziliense de hoje me chamou a atenção: um canal com programação feita por estudantes e professores da UnB já está no ar. E a galera é animada: o Márcio Garapa eu conheço do meu tempo de FAC. Se a energia continuar a mesma, é imprescindível dar uma espiada nos programas. Educar, divertir e informar são os pilares. Segundo declaração de Garapa, a idéia é "experimentar novos formatos que não têm espaço na televisão comercial". A conferir: Canal BSB (6 da NET).

Rap do Sahea

Abaixo transcrevo o rap feito pelo poeta Marcelo Sahea, inspirado pela discussão que ele tem fomentado sobre o edital de criação literária da Petrobras. Acompanhe as idéias do cabra aqui. E leia/cante o rap:

RAP DO POETA

Eu moro na CLN
Aqui em BSB
Não tenho ISBN
Mas tenho meu RG

refrão:
S. A. H. E. A.
Poeta fala mansa
mas que gosta de gritar
S. A. H. E. A.
Eu grito porque penso
e vou rimando o BE-A-BÁ (repete o refrão)

Tenho ABC no DNA
CPF no SPC
Eu não tirei MBA
O meu QI é meu QG

(refrão)

Esse é o RAP do poeta
Que publica sem brevê
Porque não tem ISBN
Mas tem o seu RG

(refrão)

20 dezembro 2006

Feio? Arte?

Recebi ontem das mãos (apesar de não tê-lo encontrado) de Marcelino Freire o livro Arte e feio combinam?, do prof. pernambucano Janilto Andrade. Marcelino esteve em Brasília pela 86ª vez este ano, numa "reunião". Mas a passagem foi rápida e ele só deixou beijos e abraços para os amigos da cidade. O livro é resultado de um estudo sobre a representação do feio na literatura de Marcelino, que foi aluno do Janilto em outros tempos. Estou curiosa para começar a leitura.

Poemas com alma

O amigo, professor, editor, jornalista & poeta Gustavo de Castro lançou há pouco o blog Razão Poesia para divulgar aquilo que se tornou o seu objetivo de vida: os poemas. E a página já está famosa, pois foi comentada pelo Paulo Paniago, no caderno Pensar, do Correio Braziliense de sábado. Um pulo muito apropriado do texto acadêmico (vale visitar os tantos livros que Gustavo já publicou sobre comunicação) para a poesia e o fraseado bonito que ele anda inventando e revelando. Clique aqui para conhecer a alma do cabra. Ou um pedaço dela.

16 dezembro 2006

Parabólica no Conic

Começou hoje a segunda Parabólica, no Conic. Várias oficinas de graça para o público, entre elas uma literária, ministrada por Ferréz, que aconteceu hoje, às 14. Vale conferir o link.


Lançamento hoje

José Carlos Vieira lança hoje, às 20h, o livro A alma e o e-mail (poemas). O volume inclui ainda Crônicas da minha cidade, com textos já publicados no Correio Braziliense. Será no Café com Letras (203 Sul), com show da banda Celebration Band.

12 dezembro 2006

Prêmio para pesquisadores

A professora Regina Dalcastagnè (minha orientadora, diga-se) recebeu ontem o Prêmio UnB de Pesquisa 2006, na Categoria Humanas e Sociais, um reconhecimento do seu trabalho pelo fomento à pesquisa e formação de pesquisadores. As outras duas categorias são Ciências da Vida e Ciências Exatas, da Terra e Engenharias. Cada uma teve um vencedor e duas menções honrosas. Na categoria Ciências da Vida, o vencedor foi o professor Ricardo Bentes de Azevedo, do Departamento de Genética, e em Exatas, da Terra e Engenharias, foi o professor Paulo Anselmo Ziani Suarez, do Instituto de Química.

Livro do amor


Será lançado na próxima quinta, dia 14, O livro do amor – ano 1, com sete contos escritos por sete autores: Antônio Oria, Fernando Ribeiro, Lavina Madeira, Paula Azevedo, Susana Dobal, Walter Menon e Yury Hermuche. As narrativas são ligadas por parágrafos em comum e os mesmos protagonistas: Esther e Lourenço. O último parágrafo de um conto é obrigatoriamente o primeiro do seguinte, mas os autores escreveram sem conhecer o restante do texto dos outros. Um barato. O lançamento é no Rayuela (411 Sul).

Lins fará roteiro de Faroeste caboclo


O escritor Paulo Lins visitou Brasília com o cineasta René Sampaio à procura de locações para o longa-metragem Faroeste caboclo, baseado na canção de Renato Russo. Em entrevista no caderno Pensar do Correio Braziliense de sábado, o escritor fala das semelhanças e diferenças entre favelas do Rio de Janeiro e determinados locais da Ceilândia, dos estudos para a adaptação da música e da literatura contemporânea.

Bolsa para criação literária

A Petrobras lançou edital público para bolsas destinadas à criação literária. São R$ 800 mil destinados a projetos de produção literária em ficção e poesia. Os escritores contemplados poderão receber até R$ 3 mil por mês para se dedicar ao livro. E as editoras interessadas em publicá-los (cada uma devidamente apresentada no projeto) receberão R$ 4 mil para os custos com a tiragem. Veja o regulamento aqui.

09 dezembro 2006

Depois de alguns dias de "férias", volto. E para compensar o atraso boas dicas e notícias.

Teatro e vídeo

Começou ontem o Cometa cenas, mostra semestral de trabalhos artísticos dos estudantes e artistas vinculados à UnB. As apresentações acontecem no Complexo das Artes e são gratuitas. Ao mesmo tempo, temos a mostra Kumasaka de vídeos, com exibição de curtas produzidos por alunos. Veja a programação de hoje e amanhã.

Sábado, 9/12:
14h e 14h40 Quem dará o veredicto?, de Gero Camilo.
Virgínia é perseguida por uma gangue de traficantes de órgãos e decide ficar em casa reclamando da vida e revelando suas suspeitas ao marido. Resultado da disciplina Introdução à Direção.
Direção: Glauber Coradesqui e Nei Cirqueira.
Local: Sala B1-51.
Classificação etária sugerida: Livre

16h Quase de tudo um pouco.
Trabalho final da disciplina Expressão Corporal 2. Orientação: Soraia Silva.
Local: Sala B1-59.
Classificação etária sugerida: Livre.

21h e 23h Páginas Amarelas
Inspirado em A Pior Banda Do Mundo
Local: Teatro Helena Barcelos

Domingo, 10/12
19h e 21h O casamento do pequeno burguês
Livre adaptação da obra de Bertold Brecht. Verdades vêm à tona, enquanto a casa cai aos pedaços durante uma festa de casamento. Orientação: Hugo Rodas
Local: Teatro Helena Barcelos.

Encontro de Comunicação em Curitiba

O XVI Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação em Comunicação será realizado entre os dias 13 e 16 de junho de 2007, na Universidade Tuiuti do Paraná. Os professores Denilson Lopes e César Guimarães estão recebendo propostas para o GT Estéticas da Comunicação. Os textos devem ser enviados para e o prazo final é 15 de janeiro.

Ministério da Cultura discute literatura

Informação quentíssima do Alexandre Marino: está acontecendo uma discussão bem interessante sobre a atividade literária, promovida pelo Ministério da Cultura. Mais notícias aqui.

Cerâmica e letras

A ceramista Dominique Liabeuf abre a exposição Cerâmica, cerrado e letras, na livraria Esquina da Palavra (406 Norte), dia 13 de dezembro, às 19 horas.

Natal poético

Não poderia ser diferente a confraternização de natal dos alunos e professores do Departamento de Teoria Literária e Literatura da UnB, ocorrido ontem. Sarau com poetas de várias regiões do país e a fabulosa leitura dramática de contos da Ivana Arruda Leite. Depois, comes, bebes e amigo secreto.

02 dezembro 2006

Considerações sobre contos

Um livro inteirinho, disponível no Cronópios, com artigos e resenhas do escritor Nilto Maciel. É sobre contistas de todo o país. Para acessar a primeira parte, clique aqui.

Revista recebe artigos

A revista Em extensão, da Universidade Federal de Uberlândia - UFU, recebe até junho de 2007 artigos, relatos de experiência e comunicações voltados para a extensão universitária. serão recebidos até junho de 2007. O material deverá ser apresentado impresso e em meio eletrônico. As normas completas para envio de trabalhos estão aqui.

Desigualdades sócio-espaciais urbanas

Próximos dias 6 e 7, o Departamento de Geografia da UnB promove curso para discutir a visão geográfica sobre desigualdades sócio-espaciais urbanas. Será no auditório Joaquim Nabuco, da Faculdade de Estudos Sociais Aplicados - FA, de 8h30 às 18h. Constam da programação as palestras "A construção teórica da Geografia Urbana: um caminho para pensar a cidade", com a professora da USP Ana Fani Carlos; "Desigualdades sócio-espaciais: a luta pelo direito à cidade", com professora da Unicamp Arlete Rodrigues; "Cidade e natureza: desafios e perspectivas para a geografia urbana", com a também uspiana Odette C. de Lima Seabra, entre outras. Informações e inscrições na Escola de Extensão da UnB (Multiuso I) e por e-mail latergea@unb.br.

Marcadores expostos

No espaço cultural da 508 Sul, está aberta a visitações uma exposição com marcadores de livros. Arte? Artesanato? A conferir e discutir. Veja alguns aqui.

01 dezembro 2006

Jornalismo literário

Direto do Cronópios: vi hoje a notícia sobre o curso de pós-graduação em jornalismo literário, que será oferecido em 2007 pela Associação Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL), em seis capitais brasileiras. Brasília está fora, mas temos Goiânia perto de nós. Interessados, cliquem aqui.

21 novembro 2006

Poesia visual e contos palpáveis

Tem entrevista bacana do Marcelo Sahea aqui. E tem convite do lançamento do livro do Ronaldo Cagiano, hoje, aí embaixo.


19 novembro 2006

Segunda-feira: dia da Consciência Negra

Durante toda a semana tem programação na UnB. Veja aqui. E além das inúmeras matérias que "colorem" os jornais para lembrar a data, veja o ensaio da profª Regina Dalcastagnè, publicado no caderno Pensar do Correio Braziliense de sábado. Nele, ela fala sobre representação de negros na literatura brasileira contemporânea e faz destaque sobre os livros Um defeito de cor (Record), de Ana Maria Gonçalves, O paraíso é bem bacana (Cia das Letras), de André Sant'Anna, Bandeira negra, amor (Objetiva), de Fernando Molica, e Ninguém é inocente em São Paulo (Objetiva), do Ferréz. Leia trecho do ensaio abaixo:


Dizem que os esquimós possuem inúmeras palavras para designar o que nós chamamos de branco. Pode parecer estranho, mas algo bem semelhante se dá na nossa literatura. Basta notar que as personagens brancas são representadas em uma infinidade de matizes: pertencem a todos os estratos sociais, exercem as mais diferentes profissões, vivem variados dilemas existenciais, afetivos, políticos, em suma, se constituem como indivíduos em um imenso universo de possibilidades. É o contrário do que acontece com as personagens negras, às quais costumam estar reservados pequenos nichos, geralmente os mais subalternos e miseráveis. (Correio Braziliense, Pensar, 18/11/06, p. 3)

Terça-feira: lançamento e cinema

Ronaldo Cagiano lança, a partir das 19h, no Café com Letras (203 Sul), o livro Dicionário de pequenas solidões, pela editora Língua Geral do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Ah, não dei notícia, mas vale o registro: Ronaldo deu entrevista a propósito do já polêmico livro Todas as gerações (LGE), por ele organizado. Foi no Leituras, da TV Senado, e o programa foi exibido sábado, dia 18, e reexibido hoje, às 8h e às 20h30. Ainda temos tempo de ainda dar uma espiada.

Começa no mesmo dia o 39° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Várias mostras competitivas, oficinas, seminários, lançamentos e muita badalação. Veja a programação aqui.

12 novembro 2006

Revista Literatura - a sadeira?

Recebi de Nilto Maciel alguns exemplares do n° 32 da revista Literatura, por ele editada. Há alguns dias, anunciei aqui a morte da revista, por falta de verba e apoio. Entretanto, há pouco soube que pode haver esperança. O relançamento da revista está sendo cuidadosamente pensado. Não se sabe ainda por qual meios ela deverá circular, mas a intenção de retomada existe. Vamos torcer. E não é demais lembrar que nesse último (?) número há um conto meu, chamado "Fabrício Cidadão dos Santos Ferreira". Confira um trechinho.

Fabrício Cidadão dos Santos Ferreira odiava a escola, as paredes cheias de desenhos, os alunos que tinham dinheiro pro picolé. Gostava de trabalhar. Tinha doze anos e acabara de ser demitido sem justa causa do segundo emprego. Quebrava pedra atrás do morro. Fazedor de brita e de areia. Gostava.

E por falar em Nilto Maciel...

...junto com as revistas, o autor me mandou dois romances. Já estou com coceira pra começar. São eles: Estaca zero (Edicon), de 1986, e o instigante já no título Os varões de Palma (Códice), de 1994. Logo logo comento.

Todas as gerações no Correio

Saiu uma resenha bombástica no caderno Pensar do Correio Braziliense do último sábado. Assinado por Sérgio Sá, o texto tem como mote a falta de unidade dos contos reunidos na antologia Todas as gerações (LGE), organizada por Ronaldo Cagiano e com um conto meu. Sá chega a declarar que a quantidade (são 102 autores) foi privilegiada em detrimento da qualidade dos textos. Alguns autores - muitos já consagrados, diga-se - foram exaltados. O jornalista também elogiou os contos dos (quase) estreantes Juliano Cazarré e Pedro Biondi. Logo no subtítulo, Sá destacou: "Com 102 autores, a antologia Todas as gerações - o conto brasiliense contemporâneo apresenta bons momentos de ótimos escritores. Mas o resultado é demasiadamente irregular devido à grande quantidade de textos ilegíveis, piadas e doses de auto-ajuda". Concordo em parte: admito que há ali contos muito ruins (julgamento discutível, claro), mas qual é o problema de lermos piadas e auto-ajuda? Talvez fosse mais fácil discutir se Sá tivesse mencionado um ou outro que se encaixassem nessas categorias. Entretanto, de antemão, julgo que o entretenimento ainda pode ser o salvador da literatura. Se é que ela vai precisar de salvação.

07 novembro 2006

Ninguém é inocente

Estou lendo um livro imperdível. Questionável, mas imperdível. Um Ferréz em contos, imagine. Ninguém é inocente em São Paulo (Objetiva) é o terceiro livro do autor paulistano e o primeiro de contos. São dele Capão pecado e Manual prático do ódio. Veja o blog dele aqui.

Lançamento no Rio

O escritor colombiano Efraim Medina Reyes lança hoje o livro Pistoleiros/putas e dementes (Garamond), na livraria Letras e Expressões do Leblon, a partir das 21h.

Gestão cultural

Estão abertas as inscrições para o curso de especialização em gestão cultural, promovido pelo CEAD-UnB em parceria com o Ministério da Cultura. O objetivo é preparar os alunos para formulação, avaliação e gestão de políticas de cultura. Outras informações aqui.

06 novembro 2006

Simpósios sobre gênero

Próximos dias 16 e 17, acontece a Jornada de Gênero e Literatura, na UnB (auditório do Departamento de Teoria Literária e Literaturas (ICC - central)). Organizado pela profª Paloma Vidal, o evento reúne estudantes e pesquisadores preocupados com questões relativas a gênero. Eu estou entre eles e reapresento trabalho sobre Ivana Arruda Leite e Clarah Averbuck. Veja programação abaixo.

--- 16/11 – Quinta-feira ---

9h-11h - GÊNERO E MERCADO: VISIBILIDADES EM QUESTÃO
- Deslocar-se para recolocar-se: os amores entre mulheres nas recentes narrativas brasileiras de autoria feminina, Virgínia Maria Vasconcelos Leal
- Obscenos contratos – o mercado editorial e a construção de estereótipos femininos, Larissa Dantas
- Clarah Averbuck e Ivana Arruda Leite: novas escritoras, novos olhares?, Liana Aragão
- A menina sudaca irá à venda? Eltit e o mercado, Paloma Vidal

14h-16h - NARRATIVA E CONDIÇÃO FEMININA: PARA ALÉM DO ESTEREÓTIPO? (I)
- O espaço da mulher no romance brasileiro, Regina Dalcastagnè
- A subalternidade das personagens mulheres no romance brasileiro contemporâneo, Anna Luiza de V. Cavalcanti
- Papel de mulher, mulher de papel: estereótipos femininos no romance brasileiro contemporâneo, Laeticia Jensen Eble
- “Elas eram muitos cavalos”: análise da representação feminina na obra Eles eram muitos cavalos de Luiz Ruffato, Gleiser Mateus Ferreira Valério

16h-18h - O CORPO DA MULHER: CONSTRUÇÕES MATERIAIS E SIMBÓLICAS
- O corpo como instância de aprendizado em Martha Quest, Cíntia Schwantes
- A máscara da sedutora – exemplo de gótico moderno, Marly Jean Vieira
- Marias de Deus, Wiliam Alves Biserra

--- 17/11 – Sexta-feira ---

9h-11h - OUTRAS VOZES: REPRESENTAÇÃO E PRECONCEITO
- Sem surpresas: problemas na recriação de vozes infantis na narrativa brasileira contemporânea, Anderson Luís da Mata
- Os homossexuais em Caio Fernando Abreu: falando de si, Mariana de Moura Coelho
- A obscenidade da velhice feminina: rompimento do olhar na literatura, Susana Moreira de Lima

14h-16h - NARRATIVA E CONDIÇÃO FEMININA: PARA ALÉM DO ESTEREÓTIPO? (II)
- O espaço transgênero na cidade de Marieta e Ferdinando, de Sérgio Sant´Anna, Adelaide Calhman de Miranda
- Estereótipos na literatura de cordel: Uma análise das personagens femininas na obra de Patativa do Assaré, Bruna Paiva de Lucena
- A representação das mulheres negras na narrativa brasileira contemporânea, Marina Farias Rebelo
- Sexualidade e corpo: uma abordagem a partir da autorepresentação das mulheres nos romances brasileiros contemporâneos, Márcia Maria Nóbrega de Oliveira

16h-18h - NOS PALCOS, NAS TELAS, NOS BAILES FUNK: REPRESENTAÇÃO E AUTO-REPRESENTAÇÃO
- Tarsila, Olga e Pagu: nos palcos e nas telas, André Luís Gomes
- A mulher em cena: a auto-representação nas dramaturgas brasileiras contemporâneas, Laura Castro de Araújo
- A mulher no cinema da retomada, Paula Diniz Lins
- As replicantes do outro lado do muro, Patrícia Mattos de Oliveira


Recebem-se revistas

Revistas que (teoricamente) já não servem para nada podem ser doadas para o projeto Reviste-se!. Promovida pela PACTA, a iniciativa tem como objetivo levar informações, que muitas vezes servem como material histórico, a crianças e adolescentes de baixa renda. Assim, foi fechada parceria com a Biblioteca Braille Dorina Nowill, na CNB 01 - Área Especial - Taguatinga (Telefone: 3901-3549), que fomentando o projeto Hemerotecas Criativas, com oficinas do Brincando de Biblioteca com Programa Literário. A idéia é ajudar os professores das escolas públicas a criar hemerotecas em suas instituições de ensino. Participe.

03 novembro 2006

Zezé e o Planalto Central

Conheci na última terça-feira a Maria José Silveira. Doçura de pessoa. Ligadíssima à produção contemporânea. E ainda tem bons romances. Confira O fantasma de Luis Buñuel e o recém-lançado Guerra no coração do cerrado. Uma literatura tudo a ver com Brasília, certa homenagem dessa goiana ao ambiente árido que a acolheu na adolescência.

FIC literária

Além dos filmes baseados em obras literárias, o Festival Internacional de Cinema, em Brasília, dedicou programação exclusiva à discussão das relações entre cinema e literatura. É o Seminário Literatura e Cinema, nos dias 6 e 7/11, das 16h às 18h, com palestras sobre os filmes e livros.

E ontem eu assisti ao belíssimo Cem escovadas antes de ir para a cama, baseado na biografia homônima de Melissa Panarello. Ele será reexibido algumas vezes ainda no Festival. A programação está disponível nas bilheterias da Academia de Tênis e aqui.

31 outubro 2006

Lançamentos hoje

Aqui - do livro novo da Maria José Silveira, na Fnac (Park Shopping), a partir das 19h30.

No Rio de Janeiro - do livro Dicionário de pequenas solidões, do Ronaldo Cagiano, na Casa de Cultura Laura Alvim, a partir das 19h.

26 outubro 2006

Nota de falecimento

Com pesar comunico - e lamento - o falecimento da revista Literatura, editada pelo escritor Nilto Maciel. No auge de sua adolescência, com 15 anos, morre de morte matada o resultado do comprometimento, da força de vontade e do amor pela literatura. Lamento, sem lamentar acriticamente as já lamentadas faltas de incentivo à leitura etc. etc. etc. Sem punhetas (e nada contra as punhetas não-pseudo-intelectuais). Lamento que um trabalho tão bacana, feito com escritores não badalados, e que reúne(iu) coisas interessantes, textos divertidos, experimentais etc., tenha se acabado.

Em breve, receberei alguns exemplares do n° 32, o último número, com um conto meu. Vou ter comigo o histórico último volume. Lamento. Lamento. Lamento. Mas devo confessar que ainda há alguma esperança em mim. Ressuscitará a falecida? Não sei. Será que não poderíamos pelo menos reencarná-la num outro canal (eletrônico)? Será que Nilto já não está fazendo isso nos seus sites? Vale dar uma olhada aqui, aqui e aqui.

Abaixo, veja o comunicado dele sobre o último número da revista e algumas notas de solidariedade.

ÚLTIMO NÚMERO DA REVISTA LITERATURA

Quando decidi voltar de vez ao Ceará, depois de 25 anos em Brasília, onde fundei a revista Literatura, em 1991, decidi também dar por concluído o meu tempo de editor. Entretanto, por insistência de alguns colaboradores, mudei de idéia. O mal, porém, não desapareceu com a mudança de idéia. Falo do mal que tomava conta de mim e me fazia cada vez mais enfastiado. O mal das vaidades, das incompreensões, das maledicências, da falta de apoio. Não de todos nem de muitos.
Desde o primeiro número a revista se editava às custas de alguns amigos. Tentei o sistema de assinaturas. Surgiram cerca de trinta interessados. Ora, o custo final da revista chegava a cerca de três mil reais. Precisaria, portanto, de trezentos assinantes, no mínimo. Nunca busquei patrocínio empresarial, porque nenhum empresário terá interesse em uma publicação de quinhentos a mil exemplares. E concluí: só resta o caminho do associativismo, do cooperativismo. Cada colaborador adquiriria dez a vinte exemplares. Alguns – sobretudo os colaboradores de primeira hora, como A. Isaías Ramires (até o nº 15), Anderson Braga Horta, Aracyldo Marques (falecido logo depois do nº 4), Batista de Lima, Carlos AA. de Sá (até o nº 9), Cleonice Rainho (até o nº 21), Dimas Macedo, Emanuel Medeiros Vieira, Eneás Athanázio, Francisco Carvalho, Francisco Miguel de Moura, Joanyr de Oliveira (até o nº 22), João Carlos Taveira, Jorge Pieiro, Leontino Filho, Sérgio Campos (falecido em 1994) e Uilcon Pereira (falecido em 1996) – alguns aceitaram de pronto o projeto. Mais tarde, juntaram-se ao grupo outros colaboradores, como Alice Spíndola, Ary Albuquerque, Aricy Curvello, Astrid Cabral, Caio Porfírio Carneiro, Clauder Arcanjo, Dilermando Rocha, Glauco Mattoso, Hamilton Monteiro, Henriques do Cerro Azul, Hiirís Lassorian, Jorge Tufic, José Hélder de Souza (falecido há pouco tempo), José Peixoto Júnior (até o nº 23), Nelson Hoffmann, Olney Borges Pinto de Souza, Paulo Nunes Batista, Romeu Jobim, Ronaldo Cagiano, Salomão Sousa e Soares Feitosa.
Os principais colaboradores de cada edição garantiam a quitação das despesas com a gráfica e recebiam vinte exemplares. Os demais (a maioria) recebiam um exemplar e nada pagavam.
Aos que nos procuravam eu explicava como a revista sobrevivia. Algumas respostas chegaram a me causar nojo, como aquela em que o “colaborador” me dizia: “Com trinta reais jantarei uma bela pizza com minha família”. Referia-se a três exemplares apenas.
Recentemente uma candidata a colaboradora me escreveu uma mensagem e me solicitou o envio do boneco da revista. Se tudo estivesse bem (a revisão do texto, a nota biográfica dela, etc), autorizaria a publicação do seu conto. Depois, que eu lhe enviasse um exemplar. E ponto final.
A gota d’água veio com a seguinte mensagem, de um colaborador mais ou menos antigo: “assim que tiver um exemplar disponível, por favor, me mande um urgentíssimo. Quero ver como ficou. Depois, conversamos, faço pedido. Se sair a contento, é claro”. E prosseguia: “conto com três coisas: a) Uma revista que me deixe bem; b) Um preço razoável; e c) um pouco de compreensão na maneira de fazer o pagamento”. Ora, de tudo ele já sabia: do preço do exemplar, da cota que lhe cabia, etc.
Cansado de tantos aborrecimentos, dou por concluída minha missão de divulgador literário ou editor de revista. Literatura chegou ao seu último número, o 32º. Como poucas no Brasil.
Fortaleza, 21 de outubro de 2006.
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24/10/2006
Nilto querido, li a carta em anexo e fiquei muito triste. Fiquei chocada com a insensibilidade das pessoas. Se tivesses me dito, eu também poderia ter tentado ajudar. Não gosto tanto assim de pizza (se ainda se podem fazer piadas nesse momento). A virtualidade parece ser a alternativa para literatura no Brasil, que se faz cada vez mais de blogs e de revistas eletrônicas. Triste caminho. Os fetichistas, que gostam de algo palpável em forma de livro, são cada vez mais caros e parecem cada vez menos dispostos a pagar pelo objeto de desejo. Um abraço muito carinhoso, Ana Carolina da Costa e Fonseca (Berlim, Alemanha)


Caro Nilto,
Li o anexo do seu site sobre o fim da revista Literatura. A princípio, chocou-me a inesperada atitude tomada pelo amigo. Mas, depois, ao avaliar bem suas condições de editor, acabei te dando razão: não vale a pena continuar esse trabalho quixotesco num país em que tudo se pauta pelo valor da moeda. Creio que você, ao levar a revista ao número 32, foi um verdadeiro herói. Poucas publicações tiveram tantas edições ininterruptas quanto Literatura – Revista do Escritor Brasileiro. De todo jeito, meus parabéns pelo trabalho diligente feito ao longo de tantos anos. Estou com você. Conte comigo para o que der e vier.
João Carlos Taveira (Brasília)

25/10/2006
Caro Nilto: Gostei do desabafo. Por tudo que li, era mesmo insustentável que você ficasse fazendo essa revista, com tanta gente ingrata e má pagadora... O grande problema está aí, na leviandade das pessoas, mesmo das que supostamente deveriam ser mais interessadas. E gente bem-intencionada por vezes não tem um puto no bolso e não pode ajudar mesmo. Mas, o sujeito que prefere as pizzas é um autêntico personagem de nosso tempo, um pulha tranqüilo, um monstro impenitente, cuja desfaçatez é bem reveladora da época em que vivemos... Ele talvez represente, como um extremo grotesco de franqueza canalha, o que muitos outros pensam, mas não dizem... Outro dia, conversando com a Rosângela sobre o mundo literário, quando ela se queixou da pouca solidariedade das pessoas, algumas famosas, e das evasivas que essas dão quando expomos o problema de estarmos em busca de editoras, eu disse a ela que é assim mesmo... Acabei dizendo uma coisa que me parece quase invariável: eles, os que têm editoras e o mais, se portam como acomodados que, do convés de um navio, olham pra gente, que está em alto mar se afogando, e nos advertem para uma onda perigosa, para um tubarão, par isto ou aquilo, mas jamais, em nenhuma hipótese, em momento algum, nos atiram uma corda... Que fazer? O egoísmo humano está em tudo, mesmo nas profissões que gostam de parecer "nobres". E nestas a hipocrisia é ainda maior...(...) De qualquer modo, ainda voltando a teu desabafo, quero dizer que fico feliz de te ver livre do peso dessa publicação. Dê-se mais tempo pra simplesmente escrever teus contos, pra viver mais pra você mesmo. O grande problema é que ser muito corporativista e amigo, hoje em dia, não está valendo nada. As pessoas simplesmente são sórdidas e tendem a se aproveitar sem maiores escrúpulos. E o santo acaba sendo um otário que joga a sua própria vida fora em troca dos que engordam com suas gentilezas sem reciprocidade nenhuma... Tal é a decadência em que vivemos, debaixo desse capitalismo completa e irremediavelmente torpe.
Abraços. Chico Lopes (Poços de Caldas, MG)

Prezado NILTO, Li e lamento profundamente sua nostálgica despedida desse trabalho altruísta, abnegado e quixotesco. Quem perde é a Literatura brasileira. Depois de tantas incompreensões, motivadas pela vaidade, narcisismo e empáfia de alguns de nossos colegas de ofício, não dá para continuar a ser muro de pancada. Todos somos testemunhas de seu empenho nesses anos todos, tirando dinheiro do próprio bolso para cobrir as despesas de edição, correios, telefonemas etc. E ainda ter que agüentar desaforo. Lamentável também a inércia, indiferença e pouco-caso dos órgãos públicos. Apesar da Lei Rouanet e das leis de incentivo, preferem direcionar subsídios para projetos de mega exposição a dar uma minguada quantia a uma edição de 500 ou 1000 exemplares, que para eles, é pouca vitrine.Que pena!!!! Mas o seu trabalho ficou na história.Ronaldo Cagiano (Brasília)

Caro Nilto, lamento imensamente que a Revista não saia mais. Por outro lado, compreendo o seu ponto de vista. É de fato uma luta desigual... Assim, ao mesmo tempo que lamento a parada, cumprimento o amigo por ter tido ânimo para pôr na rua 32 números, ao longo de tantos anos. A Revista fez história, e isso conta. Grande abraço. Anderson Braga Horta (Brasília)

Seria uma perda lastimável a interrupção da revista. Principalmente em um momento onde há poucos canais sérios e legítimos para a divulgação da literatura. Li o anexo e, com toda razão, os custos não são baixos. Para aquelas pessoas que não compreendem o esforço empreendido, não apenas na confecção, mas na seleção dos textos, na elaboração, não compreendem o valor intrínseco que subjaz em cada número. Uma revista que chega ao número 32, principalmente nesse país, onde a escrita e a leitura ainda é para poucos, deveria estar sendo abraçada com carinho e protegida. Penso que existam outros meios de mantê-la em circulação. Talvez tornando-a semestral, ou até mesmo anual. Diminuir a tiragem, aumentar o preço de capa. Solicitar uma maior colaboração. Ora, o fim da revista seria uma perda lastimável. Foi através de você e da revista que pela primeira vez consegui publicar meus escritos e atingir lugares e pessoas que nem sonhava. Se você perde colaboradores antigos, ganha novos. Estou profundamente abalado. Friso novamente, a revista Literatura está fazendo a história da Literatura brasileira. Se depender de mim, aumente a minha cota, por favor, por aqui eu me viro. Cláudio Eugenio Luz (Santo André, SP)

Companheiro Nilto, foi com lágrimas nos olhos que concluí a leitura da sua decisão. Agora bato no peito e digo: a revista vai continuar. Vamos nos reunir, quem você quiser, e vamos discutir alternativas. Eu tenho idéias. Batista de Lima (Fortaleza, CE)

Prezado Nilto, lamentavelmente não poderei adquirir os números, não por negligência ou falta de interesse. Há pouco mais de um mês sofri um pequeno acidente aí em Fortaleza, o que me deixou desfalcado em quase todos os sentidos (principalmente física e financeiramente). Que pena a revista chegar ao fim. Infelizmente me sinto culpado (ainda que involuntariamente) pelo insucesso da revista. Abraço, Társio Pinheiro

24 outubro 2006

Cinco atividades para o resto de outubro

1) Concursos: Promoção Universia halloween de contos. Inscrições até dia 31. Aqui. e 1º Concurso Literário Guemanisse de Crônicas e Trovas. Inscrições até dia 30. Aqui.

2) Próxima quinta: 4° Festival Literário e Poético do colégio Stella dos Cherubins, em Planaltina. A partir de 19h30.

3) A Revista Ártemis recebe até o dia 31 artigos, ensaios, resenhas e relatos de pesquisa sobre estudos de gênero, sexualidades, teoria feminista e multiculturalismo. Normas e outras informações aqui.

4) Dia 31 também tem lançamento do livro Guerra no coração do cerrado, de Maria José Silveira. Na Fnac (Park Shopping), a partir das 19h30.

5) Acabo de receber o livro Minimalistas, com os contos e haicais vencedores do 1° Concurso Guemanisse de Minicontos e Haicais. Nele, o meu "Francisco", que recebeu menção honrosa.

Cinco promessas para novembro

1) Cronicamente Viável, com Nirlando Beirão e Wellington Pereira, no auditório do CCBB. Dia 3, às 19h30. Entrada franca.

2) A partir do dia 9: VIII Festival Internacional de Cinema de Brasília, o FIC Brasília, com exibições na Academia de Tênis.

3) Dias 16 e 17, tem a Jornada de Gênero, organizada pela profa. Paloma Vidal, na UnB. Logo logo dou outras informações.

4) 1ª Mostra Internacional de Literatura - Poesia & Prosa "Diadema - Território Livre da Palavra", de 17 a 30, em Diadema-SP, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura e pelo Grupo Palavreiros. Outras informações aqui.

5) Dia 21 começa o 39° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com mostras competitivas em 35mm e 16mm, além de encontros, cursos, debates, seminários, homenagens, mostras paralelas de filmes nas cidades satélites.

18 outubro 2006

São Paulo badalada

Começa amanhã o mega evento Baladas Literárias, em São Paulo. Idealizado por Marcelino Freire, tem como objetivo reunir escritores, músicos, atores, dramaturgos em lançamentos, debates e, principalmente, cervejas, na Vila Madalena e na Praça Roosvelt. A balada começa com o lançamento do livro Sonho interrompido por guilhotina (ed. Casa da Palavra), de Joca Reiners Terron, na Mercearia São Pedro, a partir das 20h. No dia 20, destaque para a mesa n° 3, em que Xico Sá recebe Nelson de Oliveira, Santiago Nazarian e Sérgio Sant’Anna (às 17h, na Livraria da Vila). Em seguida tem o lançamento da antologia Quartas histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa (ed. Garamond), organizada por Rinaldo de Fernandes. Nela, alguns nomes da nova geração, como André Sant'Anna, José Rezende Jr. e Marcelino Freire, e da geração anterior, como o grande escritor cearense Nilto Maciel (às 20h, na Mercearia São Pedro). Dia 21,
Ivana Arruda Leite recebe Flávio Moreira da Costa, Luiz Roberto Guedes e Rinaldo de Fernandes (às 10, na Livraria da Vila). O poeta mato-grossense-brasiliense Nicolas Behr participará da mesa seguinte, às 14h30, no mesmo local. As Baladas seguem até o dia 31. Para saber das outras atrações, clique aqui.

Depois do fantasma, a guerra

Maria José Silveira lança em Brasília, em 31/10, o livro Guerra no coração do cerrado (ed. Record). Dela, estou lendo neste momento O fantasma de Luis Buñuel (ed. Francis), que conta a história de um grupo de amigos que conviveram na Brasília dos anos 1960, sob a Ditadura Militar. Um bom romance (ainda não terminei) e um belo registro histórico. O lançamento acontece a partir das 19h30, na Fnac do Park Shopping.

Vaga Lume

Acabo de conhecer, por aqui, a Associação Vaga Lume, ong que tem como missão promover o desenvolvimento cultural e educacional de comunidades rurais e contribuir com a troca de conhecimento entre a população da Amazônia e outras regiões do país. Entre as atividades, há algumas que têm como foco o incentivo à leitura. Vale conhecer o projeto Expedição Vaga Lume e passear pelo site.

16 outubro 2006

Dicas para a semana

Próxima quarta tem bate-papo com Moacyr Scliar no quinto encontro do programa Vertentes Literárias, às 19h, no auditório do Centro Cultural do Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul).

Na quinta, haverá o lançamento da revista Cerrados, da UnB. O tema desse número é "Literatura e práticas sociais" e tem um artigo meu, em parceria com a poeta Laeticia Eble (veja alguns poemas dela aqui). No lançamento, haverá mesa de debates com a profa. Dra. Sara Almarza e prof. Dr. João Vianney Nuto, coordenada pela profa. Sylvia H. Cyntrão. Às 16h, no auditório Dois Candangos, na UnB.

Dicas para novembro

Em novembro, Brasília ferve com dois festivais bacanas de cinema. A partir do dia 9, teremos o VIII Festival Internacional de Cinema de Brasília, o FIC Brasília, com exibições na Academia de Tênis. A novidade é o grande espaço reservado ao cinema brasileiro. E por falar em filmes nacionais, no dia 21, é a vez do 39° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com mostras competitivas em 35mm e 16mm, além de encontros, cursos, debates, seminários, homenagens, mostras paralelas de filmes nas cidades satélites. Imperdíveis.