10 janeiro 2012


10/365
Wanda

Gostou do primeiro capítulo da novela com a Marília Pera. Era fã. Mas era raro isso acontecer, uma novela ser boa logo no início. O jornal começou e ela foi esquentar o arroz, fritar o ovo – o último – para o Juarez. Achava ele um filho da puta de marca maior, mas acreditava que mãe e mulher sempre ficam em segundo, terceiro, quarto lugar. Se tem um ovo só, é do homem da casa. Se são dois, era um dele e um do menino. O terceiro é que seria o dela. Ontem, o vizinho caminhoneiro entrara num buraco que quase cobriu todo o veículo. A esposa ficara louca, puxando os cabelos, mas ele saiu nadando. Um buraco sem sentido. Ela consolou a vizinha. Também ontem, tentou pela terceira vez confirmar a matrícula do menino, sem sucesso. Só vai ter outro dia útil de folga semana que vem. Hoje fez faxina na casa da dona Liduína, no Guará. Machucara o joelho, de novo. Não sabe como será amanhã, na casa da dona Viviane. O ovo frito, voltou à geladeira. Resto de arroz e cenoura. Aproveitou o óleo do ovo do Juarez. Fez um mexido pra ela e pro menino. Estranho a prioridade ser de um filho da puta desses. Mas não ia reclamar, estava feliz com a novela. Se o primeiro capítulo já foi bom, imagine os próximos.

09 janeiro 2012


9/365
Rosa

Já contabilizava oito anos na profissão. Muitas aulas dadas e especializações com os profissionais mais renomados de todo o mundo. E agora, depois de vender seu curso em um site de compras coletivas, batera todos os recordes: três a quatro aulas diárias, cada uma com três horas de duração. Mas ela nunca havia passado por uma situação assim. Nunca, nunquinha. Nada perto disso. Explicações demais. Enquanto ensinava pacientemente as alunas a delinear os olhos, deixou escapar o pior e mais estarrecedor peido de sua vida. As que estavam próximas notaram, chegaram a contorcer o rosto ou sorrir. Iam borrar a maquiagem, essas ridículas. Sentiu ódio delas e anunciou: vou lavar as mãos, caiu base e sombra líquida aqui, posso manchar o rosto. Explicações demais. Foi ao banheiro e lá ficou por mais de dez minutos. Ao retornar, observou o olhar das alunas. Claro que elas sabiam. Fez outro anúncio: o cano da torneira soltou, está tudo molhado, não vão lá, ok? Explicações demais. Seguiu com o curso, rubra, sem blush.

08 janeiro 2012


8/365
Danila

Deprimida, Danila assistia ao Fabuloso Destino de Amélie Poulain e chorava em bicas. Queria ser inocente. Ao menos na relação com a Natália, que era a mais desencanada das meninas de sua vida. Queria também que a Natália fosse inocente. Danila queria ser pura também no seu empreguinho de bosta – apesar de ser muito capaz e ambiciosa. Queria não ser mais ambiciosa; queria que ninguém mais tivesse ambição. Queria ter uma mobilete e até uma amiga aeromoça pra reavivar a fantasia do seu paizinho, que sofria a morte de sua última esposa há mais de seis anos. Queria morar na europa, que todos conhecessem Paris, e ser garçonete e escrever o cardápio ao contrário no vidro, sem ter medo, raiva, receio ou rancor de nada. Queria armar situações para a alegria dos outros, só pra deixar de ver gente tão deprimida. Mas desejava copiosamente que alguém se ocupasse da alegria dela, inocentemente.

07 janeiro 2012


7/365
Márcia Carolina

Márcia Carolina Coutinho Lima. Nascimento: 12 de janeiro de 1986. Natural de São José do Ribamar-MA. Solteira, sem filhos. Reside em São Luís. Disponibilidade para viagens. Experiências profissionais: parte administrativa de corretora de seguros – 4 meses; secretária de cirurgião dentista – 2 meses; assistente de limpeza na prefeitura de São Luís – 1 ano e 7 meses; estágio no SENAC – 6 meses. Cursos: Inglês – básico; Informática – básico (word e excel); Curso de brigadista – trancado; Curso de cabeleireira e manicure; Curso de camareira. Comunicativa, escreve bem, lê à noite antes de dormir. Esperta. Pretende ingressar no curso de Gestão Empresarial – noturno ainda em 2012 e tirar carteira de motorista. Não tem medo de trabalho. Boa aparência. Gosta de viajar e conhecer pessoas. Precisa pagar o aluguel.

06 janeiro 2012


6/365
Tânia

“Tudo certo”. Depois de conferir quatro vezes a autenticidade das cédulas, Tânia as enrolou e enfiou no sutiã. Entre o suspiro de alívio pelo ateste e o movimento automático de acesso ao seu cofre orgânico suado, pegou a bic e o boleto. Era muito dinâmica, apesar do alto percentual adiposo. “Vai ser o quê?” O cabra não sabia. Nunca vira homem tão enrolado; os olhos dele corriam pelo entorno dela – a banqueta, os azulejos antigos do comércio fechado, os restos de cartazes na parede, o vira-lata. “Cachorro”. De repente deu pra falar firme. “Cadela”. E Tânia estranhou, mas nem teve tempo de raciocinar e, até antes de ouvir a ordem de pôr as mãos na cabeça, já deixava à mostra os sovacos. Sensação de água gelada pelo corpo, de cérebro raciocinando rápido, trazendo opções e decisões, ao mesmo tempo. Ficaria calada – por direito – até a presença do advogado (que advogado ela conhecia, meu deus?). Mas quando abrisse o bico ia levar até os famosos mais honrados com ela. Os PF tinham algo de inocentes, pensou, pois comemoram feito crianças a prisão de uma pobre coitada. Até ouviu um deles dizer: “o jogo perdeu uma leoa das grandes”. Coitados, e não conteve o riso, ela não passara de hiena.

05 janeiro 2012


5/365
Luísa


Ouvia o seu velho tagarelar por todo o caminho da casa dos tios. Os fones ele já tinha puxado. Os pais perdem tempo demais com bla bla blá, pensava. Antes mesmo que ele se desse conta, ela já tinha aprendido a lição: não é legal bater boca com a avó. O seu nome completo ela ouvira vinte mil vezes até ali. “Você tem que ter consciência, tá ouvindo, mocinha?, que a sua avó não está conosco, nós é que estamos na casa dela; se ela disser que você não vai tomar o suco especial dos infernos que ela comprou, você não vai tomar, entendeu?”. Tudo por causa de uma caixa de suco artificial, com substâncias bioativadoras para fortalecer os ossos. Recomendação médica. Queria responder ao pai que tem achado seus ossos meio moles, ultimamente, o que tem até dificultado a educação física. Mas tinha medo de levar uma chapuletada na boca. Respondona, ele diria. Maleducada, ele diria. Devia elevar seus pensamentos, exercitar a paciência – com o pai e com a avó –, a compreensão, a solicitude, a compaixão, o amor. Lembrou do Gustavo Peixoto. E sorriu – o pai estranhou – ao pensar no seu cenário futuro favorito: os dois velhinhos (mas Gustavo com o mesmo penteado de hoje), com aliança grossa no dedo, provavelmente tomando suco especial para os ossos e repreendendo um ou outro neto.

04 janeiro 2012


4/365
Carmem

Voltou ao trabalho. Fazia – por gentileza – o levantamento de alguns dados para o relatório da colega, porque obviamente não tinha nada para fazer. Muito correta, muito séria, muito comprometida, logo arrumou memorandos e avisos a fazer. Milena, você está muito ocupada? Desculpe, é que não posso mais tratar dos seus números para o relatório – com um sorriso entredentes. Não haveria problema. Milena retomaria o trabalho. Mas, antes que ela se esquecesse: Milena, querida, amanhã você poderia revisar meus memorandos e avisos, quando eu acabar? É que o chefe vai querer ver e sabe-se lá, não é? Milena piscou marotamente para Carmem, pegou a bolsa e foi embora. Aquele código todos bem conheciam. Carmem chegou a sentir vergonha, mas depois relaxou. Relatórios, memorandos, avisos. Quem saberá quando e como ficam prontos?

03 janeiro 2012

3/365
Isabel

Como alguém poderia saber? Meu vizinho, seu Júlio da padaria, Márcia do sacolão. Mas hoje todos me olharam diferente. A cada “Bom dia, dona Isabel” pelo caminho eu me sentia denunciada. A roupa era a mesma – da caminhada diária. Quando cheguei à porta do prédio, parei antes de entrar. Olhei em volta. Nenhum conhecido. Cronometrei o tempo. Não poderia demorar mais que o regulamentar da caminhada. Os rapazes muito simpáticos me receberam, preenchi a ficha, conheci as instalações. “A senhora já começa hoje?”. Olhei para o relógio. “Sim, acho que dá tempo. Quinze minutinhos, tá?”. Ele me colocou num aparelho enorme, com luzes piscando, números. Comecei minha caminhada artificial. Hoje, excepcionalmente, mais curta. Blindada do cheiro da rua, do sol e da chuva, dos “Bom dia, dona Isabel”, dos vigias incansáveis. Evitei o espelho, certa de que me sentiria como uma daquelas moças dali: finas, magras, com longos cabelos e roupas de grife. E me senti. Era ali que eu queria ficar todas as minhas manhãs. Sem que ninguém soubesse.

02 janeiro 2012


2/365
Vinólia

Na avaliação de Joel, Sandro e Inácio, dona Vinólia começou cedo. Em plena segunda-feira, às 11h, ela estava na terceira garrafa e já revirava os olhos e a língua. Na cozinha, frango cru semi temperado, uma cebola cortada ao meio, faca suja, arroz lavado na peneira. Resquícios interminados de um dia que aparentemente se iniciara certo, cotidiano.

Os rapazes aportavam na casa da mãe diariamente para filar o almoço antes do serviço. Mas hoje não haveria o que comer. Dona Vinólia já não respondia pelos quitutes que planejara preparar. Surrupiava a atenção dos três, atônitos, quando tentava pronunciar qualquer coisa ou ensaiava assoviar. Que fossem ao inferno os filhos imbecis. Que a deixassem ali, aposentada deles, desquitada do trabalho e viúva de sua razão. Hoje, Vinólia se escondeu da saudade, com cerveja.

01 janeiro 2012


1/365
Nair

Nair prepara o jantar. Pela manhã, levou as meninas para brincar no foguete do Parque. As duas bonitinhas descansavam as pernas grossas no sono vespertino. O cheiro de bisteca invade o apartamento recém-comprado. Nair se pega divagando se cheiros fortes assim entram no taco da sala e ali se instalam para sempre. Passam a fazer parte da história do lugar. Aqui deve haver registro de frangos, carnes, doces de tacho – alguém faria doce de tacho em um apartamento tão pequeno? – e também de produtos de limpeza inadequados. Aqui e ali se vê uma pequena mancha.

As meninas acordam. A mãe tem que banhá-las, banhar-se e vigiar o fogo. São poucas horas até o primeiro jantar do ano. Nair desperta do pensamento sobre os tacos. A caminho do varal, para pegar as toalhas, faz uma resolução que considera genial: preparará um doce de abóbora este ano. No tacho.

31 dezembro 2011

Desafio 2012

É agora ou nunca. E pode ser mesmo que seja nunca.

Começa amanhã o meu desafio: escrever um "conteto" por dia. Projeto: 365 mulheres + 1 (afinal 2012 é bissexto).

Será que consigo?

21 dezembro 2011

O bebê da foto já mudou tanto.

Promessa de fim de ano: retomar o blog com um desafio. Aguardem.

14 dezembro 2010

Princesa

O que há de beleza em uma princesa com o fiofó tomado por hemorróidas? Os longos cabelos louros, esvoaçando numa ventania ritmada pelo vai-e-vem do ventilador, são o contraste com o rosto triste e contrariado pela fisgada interna. Quase prazerosa de tão dolorida.

Revista Alfa

Interessante a recém lançada revista Alfa, da editora Abril. Segundo uma amiga, uma "Marie Claire para homens", mas eu acho até menos que isso. Interessante e só, sem grandes novidades. Mas terríveis foram duas colunas que li na edição de novembro, em 'Confissões': "Não seja uma vítima da mulher-vítima", de Tati Bernardi, e "Sinfonia no colchão", de Kika Salvi. A primeira é uma ridícula tentativa de ser solidária aos homens, na sua tortuosa relação com esses seres tão difíceis, as mulheres. Oh! A segunda é fantástica: um NÃO aos gritos na hora do gozo. A (pudica) autora chega a confessar: "eu não sou do tipo barulhenta". E, especialista em sexo/corpo/tesão/etc., diagnostica: "não há relação entre prazer e sonoridade. Muita gritaria indica justamente o contrário". E não conseguiu sustentar esse "contrário" no texto. Fiquei de cara. Aí eu pergunto pra minha amiga lá de cima: "Marie Claire ou Nova???".

20 agosto 2010

Quase esqueci...




...caso dia 18 de setembro.
Um oi lerdo, lento, de ré

Nenhum elogio à preguiça, já mais que homenageada pela minha ausência. Apenas algumas boas notícias:

Li Comer rezar amar, de Elizabeth Gilbert. E não me interessam as opiniões daqueles que usam loção anti-best seller: adorei.

Na próxima terça, 24/8, às 19h, Marcelo Sahea lança Nada a dizer, com direito a performance. Será na galeria Objeto Encontrado (102 Norte).

Estão abertas as inscrições para o 1° Concurso Literário de Crônicas, Cartas e Trovas, da editora Guemanisse. Informações em http://www.guemanisse.com.br/.

Neste momento (21h do dia 20/8), está sendo lançado no Carpe Diem (104 Sul) o livro Gênero e feminismos: convergências (in)disciplinares, organizado por Valeska Zanello, Cristina Stevens, Tânia Almeida e Kátia Brasil. Nele, texto da amiga e ídola Gislene Barral, além de outras pesquisadoras phodas.

Um conto meu foi selecinado num concurso interno da Caixa Econômica, para ser publicado em livro. Chama-se "Tempo".

Li Alameda Santos, da Ivana Arruda Leite. Ela continua phoda e eu continuo adorando o que ela escreve.

Estou lendo dois livros do psicanalista Flávio Gikovate.

05 abril 2010

Invictus - humilde comentário

Semana passada, assisti à quase derradeira sessão de Invictus, uma da tarde numa das salas menos badaladas da cidade. É um lindo extrato da biografia de um dos maiores homens que a humanidade já conheceu. Um exemplo de compaixão, de perdão, de amor incondicional. O cara é um iluminado. Não à toa recebeu o Nobel da Paz em 1993 (mas depois de Obama também ter ganho eu já não sei se o prêmio é referência). A atuação de Morgan Freeman é impecável e Matt Damon não está nada mal. Lindo filme. Pra finalizar, a parte final do poema Invictus, de William Henley, inspirador de Mandela na prisão: "Eu sou dono e senhor de meu destino. Eu sou o comandante de minha alma".

21 março 2010

Bah, o mundo da literatura ainda existe

De 24 a 26 de março, acontece em Brasília o 1º Colóquio Internacional sobre Poéticas da Oralidade Cordel: uma tradição que se refaz. A abertura será dia 24, às 15h, no auditório da Reitoria da UnB. As inscrições podem ser feitas por e-mail: coloquiocordel@gmail.com. E outras informações, você encontra aqui.

E ainda na UnB, o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea e a Pós-Graduação em Literatura da Universidade de Brasília organizaram o curso de extensão Desconstruir nacionalismos – resgatar identidades regionais, com a professora Ria Lemaire, da Universidade de Poitiers. O curso, ministrado em português, acontece entre os dias 22 e 24 de março. Informações aqui.

E Ivana Arruda Leite lançou há poucos dias seu segundo romance, Alameda Santos. Costumo gostar muito dos textos dela, cujo humor oscila entre o ácido e o inocente, sempre com uma perspectiva desesperançosa e inevitável: feminina até a raiz dos cabelos. Veja o blog dela aqui.

Na telona

Me diverti com Simplesmente complicado semana passada. Majestosos Meryl Streep e Alec Baldwin. Interessante ver como as coisas acontecem sob uma perspectiva, digamos, 'madura' do amor, da vida, do sexo. Balela: tudo igual, tudo confuso, tudo complicado. Mas divertido, no entanto. Há algo de leveza ali, que é raro nas relações 'descomplicadas'.

Saudades de Tereza?

Ela é nova, melhor, mas não inteira. Lê um best de Marian Keyes, vê comédias românticas aos pedaços, enquanto o sono permite, se exercita, trabalha, cuida de três crianças. E briga muito com uma delas.

21 fevereiro 2010

Back

2010 segue e seguem a pele, a alegria, o ódio, a fé, o cheiro, o amor e a incompreensão. O carnaval acabou. Agora, Jack, traga-me o horizonte.

09 novembro 2009

Breve histórico de um caminho

1979 - eu nem sabia se estava mesmo viva; via vultos; berrava; pedia braço, abraço, colo e leite quente. Peito. Era dona de uma situação tão minha quanto as minhas certezas de agora. Urrava sem mesmo entender qualquer coisa, sem mesmo lamentar.

1984 - a melhor coisa do mundo havia de ser uma tv a cores, a praia mansa - ao menos a que tinha a meu alcance - de vento mole e coca-cola. Meus cabelos dominavam todo o litoral do meu rosto, extensos e informes. Sorriso de filho que não sabe o que existe, além de uma boneca negra que imitava bebê. Comia lápis de cera, numa espécie de insubordinação inocente.

1989 - diretas, constituição, presidente eleito. A Xuxa era a referência de beleza, inteligência e competência. Barbies já tinham seu lugar. Nova escola, novos amigos. Primeira paixão, talvez. Tão irrealizada quanto as que vieram em seguida. O meu mundo era expresso em desenhos. Alguns muito bons até.

1994 - beijos, beijos, beijos. Conquistadores motorizados ou livres para beber e fumar. Tórridas e ardentes paixões utópicas. Vida para a dança, a rua, os beijos. Rodopios, fugas, juras de amor. Noites viradas, suadas e imaculáveis. Amizades fiéis para sempre. Chorava agora entendendo algo muito mais dolorido. Braço, abraço e colo serviam. Pouco.

1999 - sexo e mais. Amigos e mais. Estudos e mais. Tudo o que eu pudesse, quisesse... Realidade mesquinha: eu não podia, não podia. Autoregramento intenso, firme, reto. Ressentimento, dor, câncer de alma e máscaras, e máscaras, e máscaras. E desenhos.

2004 - alguma fuga, alguma ousadia. O choro era denso, mas disfarçado. Sabia que estava viva, mesmo parcialmente morta. Planos à prova, ideais à prova. Regra, trabalho, casamento. Poesia; coração atado. Doído.

2009 - maternidade plena e confusa. Vira-volta: rumo ao passado, à liberdade adolescente, aos beijos, beijos, beijos. Ao sexo. A crença, calejada e desconfiada, entregue e insegura, no amor de novo. No mais errado dos caminhos; na mais incerta aposta. Eu: mulher intensa e amiga decepcionante.

26 outubro 2009

Contos de Nilto reunidos

Acaba de sair do forno Contos reunidos - volume I, do grande Nilto Maciel. O livro é um compilado de três: Itinerário, Tempos de mula preta e Punhalzinho cravado de ódio e o prefácio, feito com muito amor, é desta que vos fala. A edição ficou super bonita. De Nilto, falo sempre: é um escritor competentíssimo, nascido em Baturité-CE. O maior exemplo de autor que escreve por prazer, na minha opinião. Outra criatua comentou esse grande lançamento: veja aqui. E o site da editora, que infelizmente ainda não traz informações sobre o livro, é este.

18 outubro 2009

Tereza XXXVI

Maga. Encaixa, molha, respira.
Tolhe e acolhe.
Pira, arrolha, rebaixa (insolene). Vaga.

Velha. Choro, ruga, lamenta.
Sente reticente.
Argumenta, pulga, mouro (absorto). Espelha.

Viva. Peixe, varão, pedir.
Tereza tristeza.
Regredir, leão, feixe (de novo caminho). Ativa.

14 outubro 2009

Desonra filmado

Está para chegar às locadoras o filme Desonra, baseado no bestseller de J.M. Coetzee, que levou um Prêmio Nobel de literatura pelo livro. Relações que envolvem questões raciais - num interessante jogo de ironia do autor - e violências, em cenário sulafricano de pós-apartheid, dão o tom à trama. David, o protagonista, é interpretado por John Malkovich. Não sei o motivo, mas o filme não passou pelas salas de cinema. Se fizer jus ao livro, é uma grande pedida.

Tereza XXXV

E eis que ressurge a preta Tereza, feliz e cansada. Dança em bloco de carnaval fora de hora, acena para gente pintada e elástica, chora com músicas melosas, sente saudades da avó e faz sexo e macumba. Tereza goza dias de nada, inerte. Dorme, lê, cozinha, cuida de menino, come, dorme. Muda. E acorda puta, confusa e insegura.

29 setembro 2009

Narrativas contemporâneas

O Departamento de Literatura e Teorias Literárias da Unb tem promovido os Seminários de Pesquisa: Narrativas Contemporâneas, com debates sobre textos literários e sua relação com a realidade, promovidos por estudiosos de diferentes áreas e universidades. Hoje tem discussão sobre xingamentos e loucura. Veja programação.

29/9
Valeska Maria Zanello de Loyola (prof. Psicologia do IESB)
Xingamentos: entre a ofensa e a erótica
Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva (doutora em Literatura/UnB)
Olhando sobre o muro: representações de loucos na literatura brasileira contemporânea
Debatedora: Cíntia Schwantes (professora drª Literatura UnB)

13/10
Tatiana Lionço
Homofobia e educação: uma análise dos livros didáticos distribuídos pelo Governo Federal
Leda Cláudia da Silva Ferreira (mestre Literatura UnB)
A personagem do conto infanto-juvenil brasileiro contemporâneo: uma análise a partir de obras do PNBE/2005
Debatedora: Larissa de Araújo Dantas (mestre Literatura UnB)

27/10
Ondina Pena Pereira (profª drª Psicologia/Católica)
Alteridade e violência: travestis e mulheres transexuais em situação de prostituição no Distrito Federal
Adelaide Calhman de Miranda (doutoranda Literatura UnB)
Sob camadas de preconceitos: a travesti na literatura brasileira contemporânea
Debatedora: Mariana de Moura Coelho (mestranda Literatura UnB)

10/11
Paulo Cesar Thomaz (doutor Literatura USP)
O dilaceramento da experiência: as poéticas da desolação de Bernardo Carvalho e Sergio Chejfec
Anderson Luís Nunes da Mata (doutorando Literatura UnB)
O conceito de representação na narrativa brasileira: as fraturas no projeto de uma literatura nacional
Debatedora: Maria Isabel Edom Pires (profª drª Literatura UnB)

24/11
Mariza Vieira da Silva (profª drª Linguística/Católica)
A língua, a história, o sujeito
Susana Moreira de Lima (doutora Literatura UnB)
O outono da vida: trajetórias do envelhecimento feminino em narrativas brasileiras contemporâneas
Debatedora: Bruna Paiva de Lucena (mestranda Literatura UnB)

28 setembro 2009

Desafio os puristas: isso é literatura?

A quem aguentar não pesquisar no google, pergunto: o que é isso?

Procure
na sombra da flor de espinho
Num peixe de mar sozinho
Desnude esse amor
Tristeza
reflete no rio do meu rosto
Pintura de amor e desgosto
Você quem pintou
Viver a vida, mais uma novela

Caminho das Índias chegava a ser ridícula. É difícil respeitar uma novela de Glória Perez. No entanto, havia coisas que me chamavam a atenção e uma delas era o gracioso pseudosotaque de Tony Ramos. Havia algo de divertido ali. Não posso dizer o mesmo de Viver a vida. O cenário - apesar de enjoadamente belo - deveria pelo menos nos remeter a uma realidade real. Mas não. Nada é real ali. Manoel Carlos consegue fazer algo ainda mais surreal do que os diálogos fakes de Glória. O anúncio prévio e providencial de que a protagonista - mais uma Helena, quem aguenta? - seria negra causou curiosidade. Mas o rebuliço se limitou a isso. O resto é mais do mesmo. Uma Helena feliz, com seu diálogo feliz, cheio de tiradas felizes, que nem mesmo com um texto bem decorado parecem deixar Taís Araújo "natural". Nada há de natural, de normal, de cotidiano (nem o cabelo maravilhoso dela, que me causa sincera inveja). Obviamente falo do meu lugar, de bancariazinha remediada. Afinal, eu nunca dormi num iate; eu não tenho (e provavelmente nunca vá ter) mansão em Búzios; eu não conheço ninguém que, casando após duas semanas de namoro, tenha passado a lua de mel em Paris; eu sei diferenciar terça-feira de sábado; e eu não tenho um cabelo maravilhoso daqueles. Enfim, se há algo que essa novela faz bem, é o fato de nos afastar da realidade. E isso a aproxima daquela literatura tão firulada quanto seus fazedores-consumidores. A mim me falta paciência e sobra suor.

21 setembro 2009

Noite de deusas

Amanhã, o Instituto Saraswati (705 Sul) promove a Noite das deusas, curso sobre sensualidade para mulheres. Será a partir das 19h30 e custa R$ 60. Mais informações aqui ou pelo telefone 3306-1588.

Em nome da mãe

Será lançado no próximo dia 8 de outubro, no Carpe Diem (104 Sul), a partir das 19h, o livro Em nome da mãe - o não reconhecimento paterno no Brasil, de Ana Liési.

17 setembro 2009

Virgínia comenta Ivana

Minha amiga Virgínia Leal, doutora em Literatura Brasileira, publicou resenha do primeiro romance de Ivana Arruda Leite, n'O Globo, no último dia 5/9. O texto trata de Hotel novo mundo, da editora 34. Veja o comentário da escritora em http://doidivana.wordpress.com/.

Conferências da primavera

Acontecem todas as terças-feiras deste mês as Conferências da primavera: escritores falam de sua escrita. Escritores da UnB participam dos encontros, sempre às 16h, no espaço Cassiano Nunes, na Biblioteca Central. O primeiro trouxe a professora do Departamento de Teorias Literárias Elga Laborde.

Literatura e corpo

Foi lançado na última terça o número 33 da revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, com dossiê sobre literatura e corpo. Interessados podem adquirir um volume entrando em contato com o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da UnB, pelo e-mail grupodeleituraunb@gmail.com.

Um poeta virtual

Geraldo Maia é, segundo ele mesmo diz, "um canal pelo qual o universo se manifesta". O poema do qual colhi o trecho abaixo, "A celebração da vingança", é um apanhado cordelizado de dor e beleza, cru como o que lhe movimenta: o racismo. Conheci Maia e seu poema de todos virtualmente e é assim que o apresento, com minha admiração. Divirtam-se.

Morre negro, morre branco
Mas só negro sofre o tranco
De morrer pela polícia
Branco ladrão tem malícia
Gravata e talão de cheque
Negro é sempre moleque

A polícia corre atrás
De bandido e manda bala
Mas na ponta de sua fala
Só o negro é inimigo
Assim também é demais
O negro corre perigo

(...)

Ainda hoje que rola
O racismo faz escola
Até mesmo no PRONASCI
Falam “mancha criminal”
Pedem que você abrace
Essa coisa infernal

Que é “mulheres da paz”
No fundo a pessoa faz
É delatar criminoso
Tornando mais perigoso
Viver na comunidade
paz não é caridade

(...)

Só assim o negro serve
Enquanto o sangue não ferve
E arrebenta as algemas
Muda de vez essas cenas
Não mais “presunto” criança
Mas celebrar a vingança

07 setembro 2009

Rapidinhas


Esta semana, começa o I Festival de Literatura de Cataguases-MG. Clique aqui para programação, inscrição das palestras e oficinas e outras informações.


Encerram-se dia 21/9 as inscrições para o 8° Concurso Literário de Contos e Poesias 2009 da editora Guemanisse. Haverá premiação para os três primerios colocados e esses com outros autores que obtiverem menção honrosa terão seus trabalhos publicados. Os prêmios em dinheiro variam de R$ 1 mil a R$ 3 mil. Mais informações aqui.


Na web, curto, acompanho e recomendo: Ato com texto - Manual do Cafajeste - Homem é tudo palhaço.


Obras de museus franceses em Brasília

26 agosto 2009

350 mil livros com até 80% de desconto


Até 31/8, a Editora UnB promove o Feirão de livros, que disponibiliza mais de 350 mil obras de diversas áreas do conhecimento com até 80% de desconto. Vale conferir: no Ceubinho, das 8h às 19h.

21 agosto 2009

Tereza XXXIV: Tereza tem um amor que amanhece como se tardasse,
singelo e vegetal, à sombra duma janela qualquer.

19 agosto 2009

Tereza XXXIII

Apagou o cigarro na sola e ajeitou o chapéu. Enquanto contemplava as abóbadas que careciam de desenhos, Tetê não percebeu de imediato que Claudinei a desejava. O mesmo filho da puta de sempre, ali, naquele batizado sem nexo, fez a negra derreter quando, enfim, o notou. Os bigodes, o terno, as lembranças, o cheiro, a mulher bem vestida ao lado, as flores, as velas. À distância Tetê pendia, abanava-se no ritmo da ladainha do coro juvenil. Devotou a ele seu olhar mais sensual e levantou dissimulando calma e tranquilidade. Na porta, encontrou o toco de cigarro. Pegou, acendeu. Claudinei sussurrou promessas e ela se dignou a voltar para casa, apenas, de ônibus, em lágrimas.

13 agosto 2009

3 em 1

Pra começar, digo que foi adiado o primeiro encontro do curso de extensão Vozes dissonantes na literatura brasileira contemporânea, ou o que não cabe no projeto nacional. A data prevista agora é 28/8. Os livros da editora Casa das Musas agora podem ser comprados virtualmente. Conheça a loja clicando aqui. E atenção atenção atenção: já está em cartaz o filme Um romance de geração, baseado no livro homônimo de Sérgio Sant'Anna. A primeira edição foi lançada em 1988 e o romance é, sem dúvida, a obra prima do escritor, que por sua vez figura entre os (dois?) melhores autores vivos. Espero que o filme faça jus.

10 agosto 2009

Projeto nacional da literatura brasileira em debate

Estão abertas as inscrições para a atividade de extensão Vozes dissonantes na literatura brasileira contemporânea, ou o que não cabe no projeto nacional, promovida pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da UnB. Os encontros acontecerão quinzenalmente, iniciando na próxima sexta, dia 14.
Estão previstas as discussões sobre livros de Autran Dourado, Luiz Ruffato, Sérgio Sant'Anna, Ferréz, entre outros. No dia 14, a conversa será sobre Contos do imigrante, de Samuel Rawet. Os encontros serão sempre às 15h, no auditório Agostinho Silva, do Departamento de Teoria Literária e Literaturas. Para participar, envie e-mail para grupodeleituraunb@gmail.com.

07 agosto 2009

Sobre Cordilheira

Li Cordilheira tendo lido outros dois livros de Daniel Galera e sabendo que se tratava do primeiro volume da coleção Amores Expressos, da Cia das Letras. Só. Nenhuma crítica ou elogio, além do "Leia" imparcial de minha melhor amiga. Bom romance. Narrado em primeira pessoa por uma jovem escritora, o livro começa instigante, gostoso. Me vi curiosa com a história da menina que vai apática a Buenos Aires para acompanhar o lançamento de seu primeiro livro e não demorei para estar envolvida. O ponto alto é a presença - chata - das figuras asquerosas que representam os grupinhos herméticos de literatos metidos a besta da vida real. Boa sacada, mas que poderia ter ficado melhor como marca d'água, ao fundo. O miolo, por essas presenças, chega a ser sacal. Como é sacal conversar com um desses seres que se julgam melhores que seus interlocutores. Havia mais o que dizer de Anita e sua vida, de Magnólia, de Julie e da instigante esposa do cara da Terra do Fogo. O último capítulo é lindo, mas o final (relaxem, não vou contar) me decepcionou. Enfim, Galera sempre me surpreende por sua boa costura, sua primorosa técnica e sua juventude. Recomendo.

PS: quero, deveria e poderia, mas não vou comentar a escolha pela narrativa ser conduzida por uma mulher, nem a presença das figuras femininas tão marcantes.

04 agosto 2009

Concurso literário

Estão abertas as inscrições para o 8° Concurso Literário Guemanisse de contos e poesias. Proseadores e (bons) poetas podem mandar seu material até 21/9. Tem prêmio em dinheiro e publicação. Mais informações, aqui.

Homofobia - vamos conversar?

O Departamento de Serviço Social da UnB promove, de 10 a 14/8 debate sobre homofobia. Cinco dias de discussão e com previsão de participação do público. Será sempre às 12h30, no auditório Dois Candangos, e as inscrições podem ser feitas no Interfoco (multiuso I, em frente ao BRB/UnB) até o dia 10. Haverá certificado e distribuição de livro.

Ninguém me contou???

Dia 9/6, saiu matéria no Correio Braziliense sobre blog e adivinhem que espaço estava lá, citado e comentado. Sim, este. Abaixo, destaco o parágrafo com o comentário.

Dois espaços virtuais poéticos bem diversificados em Brasília são da escritora Ana Ramiro e da jornalista Liana Aragão. Paulista e autora de Menina-poesia, a primeira administra um portal poético (Folhas de Girapemba), com divulgação de saraus e lançamentos de livros, ensaios e poesias. A outra é cearense-brasiliense que comanda o sugestivo Setor Literário Sul, no qual mistura informação com contos poéticos. Os dois têm credibilidade dos internautas. Sobretudo pelo apuro estético e posts diários.

E eu já trato de recomendar o Folhas de Girapemba, que, com esse nome, não passaria batido ao meu olhar curioso. E gostei do que vi. Vale navegar.

22 julho 2009

Tereza XXXII

Tessa vive de altos e baixos, brigas e pazes, carinhos e ofensas, molecagens e respeito. Mas transa, bonita-perfeita-sincrônica, todas as noites.

Concurso de monografias

Peru: evolução recente e futura é o tema do Concurso de Monografias América do Sul, promovido pela Fundação Alexandre Gusmão. Os prêmios vão até R$ 30 mil. As inscrições estão abertas até 1º de setembro e, para participar, o único requisito é que o estudante seja sul-americano e não é exigida escolaridade mínima. Outras informações, aqui.

16 julho 2009

Tereza XXXI

Ela retorna. Ler faz Tereza querer ficar sozinha. A faz perdoar, não inteiramente, o fato de ter sido trocada pela final da Libertadores. De volta, menos inteira do que inerte, supõe que ler a faz maior. Tereza é a escritora, a aluna, a flor, a mãe, a mulher. Ler a faz, agora, Magnólia. Liberdade e água.

05 julho 2009

Tereza XXX

Beirando a conclusão de sua terceira década, Tereza, melindrosa, se depara com a dolorosa sina: são os olhos de Fabinho que ela busca. Em todos os amores, amantes, namorados, rolos, maridos, casos não realizados, ela procura os olhos de homem de verdade que o menino de seis anos parecia ostentar.
Fabinho

FEV/2006

E quem disse que criança não sofre de rejeição amorosa? Se isso vira trauma, mancha no passado ou cria motivo pra regressão, já é outra história. Mas que eu faltei morrer quando, com seis ou sete anos, fui enxotada pelo Fabinho, ah, faltei.

Uma fila de meninos de um lado e uma de meninas de outro. A Patrícia já me avisou antes: vou dizer que quero o Leonardo e pronto. Eu duvidei, encolhida, acanhada, barriga gelada de vergonha. Pois ela anunciou e deve ter sido aplaudida silenciosamente: tia, só danço se for com o Leonardo. Ele ficou meio constrangido, mas gostou da idéia. E a tia, aliviada: ótimo, já temos o primeiro par.

Uma coragem que eu nunca tive veio vindo, veio vindo e eu falei, sem pensar muito: e eu só danço se for com o Fabinho. Riram, gargalharam. Olhei pra ele, vermelho. A pobre da tia, rindo também, perplexa, disse: está bem, mais um par. Ei, tia, eu não quero. Era o bolha do Fabinho choramingando. Levei as mãos ao rosto. Eu não sabia onde me esconder. Ou não saberia, se isso fosse verdade. O fato é que o Fabinho, viadinho, não disse nada. Só ficou vermelho. Deve ter querido dizer, mas eu quase lhe dei uma chave de coxa. Coragem que eu nunca vi, credo. E nem tinha feito a primeira comunhão ainda.

Vi, vim e venci. Dancei com o molenga do Fabinho. No ano anterior, a tia tinha escolhido os pares e eu caí justo com ele. O par perfeito, o menino e a menina mais tímidos e miudinhos da classe. Dançamos sei lá o quê, talvez uma jovem guarda, com um laço cor-de-rosa a enfeitar. O puto do Fabinho nem pra conversar. Todos os ensaios e o baile e eu nem ouvi o timbre da voz do retardado. Em nenhum dos anos. Nem na classe ele lia. Eu, de minha parte, morria de vergonha, mas lia: macha, guerreira. E até cutucava o Fabinho pra ler também. Ele, sonso, nem miava.

Uma vez foi o Zé Alcir que eu salvei. Tinha um menino ameaçando ele. Pois eu montei no menino e disse deixe meu amigo em paz! Não vi nada até abrir os olhos e sentir o cheiro da lama. Caí numa poça. Nem sei como fui arremessada, mas estava longe da cena. Meu pai brigou comigo: parece menino.

E a porra do Fabinho foi só o primeiro. Rejeição sim senhor. E há rejeição maior do que não dirigir palavra à sua dama por dois anos seguidos? E mesmo tendo sido escolhido? Um bolha completo. Só o primeiro de tantos. Só o primeiro que eu quis bater. E foi no baile que eu aproveitei. Depois da dança, dei-lhe um pisão inesquecível. E um soco mortal no estômago. E pedi que morresse. O trouxa soluçou e fez biquinho, como se fosse chorar. Eu fiquei com medo de apanhar da mãe dele e do meu pai. Pedi desculpas. Disse que foi sem querer. Coloquei meu braço no ombro dele e perguntei se ele ainda era meu amigo. O idiota fez que sim. Antes tivesse sido com emoção assim. Tudo mentira. A verdade mesmo é que, quando a música acabou, a bonequinha virou as costas e foi descer do palco, antes de todo mundo – e imagine que, por sermos pequenos, éramos o casal da frente. Fiquei com cara de tacho, sozinha. Meu pai filmou tudo. Baixei a cabeça, arrasada. Lamentei.

16 junho 2009

Lançamentos imperdíveis


Orixás em releitura primorosa

Amanhã, 17/6, será lançado o livro Oyé Orixá - umbanda e a síntese dos princípios do branco, do vermelho e do negro, de Marcelo Costa Nunes e Rafael Alves. Um apanhado cuidadoso dos mitos dos orixás africanos, em leitura baseada nos princípios da umbanda. Lindo trabalho. O evento tem início às 19h, no Rayuela (412 Sul).

Paixão nacional em livro

O país do futebol já mostrou que, em termos literários, seus assuntos preferidos passam longe das típicas paixões nacionais: são raríssimos os livros literários que tratam de futebol ou de samba, pra falar o óbvio. Como também são raras as presenças dos diversos povos que compõem o Brasil. Os temas e os personagens, segundo pesquisa da Regina Dalcastagnè, da UnB, costumam retratar 'amor' e 'brancos bem sucedidos', respectivamente. Claro que há exceções e aqui trago uma delas: será lançado na próxima sexta, 19/6, o livro A cabeça do futebol. Crônicas, poemas, contos, ensaios de Fabrício Carpinejar, Daniel Piza, Luiz Martins da Silva, Klecius Henrique, Selma Oliveira, Humberto Werneck, Xico Sá e outros, organizados pelo meu amigo Gustavo de Castro e seus confrades Samarone Lima e Carlos Magno Araújo. O lançamento, será na Livraria Cultura, a partir das 19h30.

05 junho 2009

O retorno dos Sant'Annas

Minha amiga Jeanne Alves é portadora de boas notícias: acaba de sair pela Cia das Letras uma linda edição do melhor livro de Sérgio Sant'Anna, Um romance de geração, de 1988, e André Sant'Anna lançou o instigante Inverdades. O filho é um excêntrico cheio de crítica muito contundente e o pai está entre os melhores autores vivos da atualidade.

Troca de livros

O Estante Virtual, site que organiza compra e venda de livros usados pela internet, lançou esta semana o Programa Nacional de Troca de Livros. A idéia é muito interessante, se baseia em créditos para compras futuras, mas o aspecto virtual se perde. "Você leva nos sebos os seus livros seminovos e ganha créditos para adquirir seu próximo livro. E a avaliação é justa, nada de 1 real por livro! Na troca por livros do acervo do sebo, seu livro vale 25% do preço atual nas livrarias convencionais", propõem os organizadores. Mais informações aqui.

29 maio 2009

Tereza XXIX

A amiga da amiga da prima de Tetê é uma besta. Quando o amado quer, ela está disponível. Safadinha. De longe, sofre, se acaba. Mas expõe, orgulhosa, os dentes mais brancos que puder ao cafajeste. Se ele pede. Dengosa, implora atenção, elogio. Volta, perdôa, ama. Amiga da amiga da prima de Tetê. Tão longe, de longe, range as unhas e rói os dentes, agoniada, sem outro destino possível. É mais uma. É amiga, é prima e é Tetê. Inteira rasgada, partida amadora.

19 maio 2009

Nilto comenta SLS

Meu super chapa Nilto Maciel, um dos melhores escritores brasileiros da atualidade, escreveu o texto abaixo em seu blog:

Setor Literário Sul
Liana Aragão, cearense-brasiliense, edita o blog "Setor Literário Sul". Quem conhece Brasília entenderá logo o nome: a capital brasileira é dividida em setores: bancário sul, bancário norte, comercial sul, comercial norte, etc. Liana é escritora (ainda sem livro publicado, mas deve ter muitos contos na gaveta, isto é, no arquivo de seu computador). Li alguns deles: são ótimos. Liana é jornalista graduada pela Universidade de Brasília (2003). Concluiu o curso de mestrado em literatura brasileira no Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária e Literatura da mesma universidade, em 2007, e é empregada da Caixa Econômica Federal. Trabalha principalmente com os seguintes temas: representação social, mercado literário brasileiro e autores contemporâneos. O endereço do blog é http://setorliterariosul.blogspot.com Nele o leitor poderá saber tudo o que se passa no setor literário brasiliense (que é bem agitado). E, de sobra, ler os minicontos de Liana, minha amiga (embora nunca a tenha visto).

Palestra de Bárbara Freitag na UnB

Já em comemoração aos 50 anos da capital brasileira, será realizada a palestra "A transferência da capital do Brasil do Rio de Janeiro para Brasília no Planalto Central", pela professora Bárbara Freitag. Será sexta-feira, dia 22, às 10h.

17 maio 2009

Força estranha (a da gravidade)

Caetano Veloso caiu ontem do palco, em apresentação única na cidade, quando regia a platéia que cantava Força Estranha. Um susto que pareceu não abalar o compositor. O repertório de Zii e Zie representa bem a fase que Caetano vive e compartilha: são poucos os diálogos com a densidade do passado e o experimentalismo chega a cansar. Coisa de adolescente sessentão, que toca um foda-se eloquente e diário às opiniões alheias. Um bom show. Mas prefiro voltar aos meus CDs, sem grilos, tombos ou saudades.

12 maio 2009


Tereza XXVIII

Terezinha, Tereza, Tessa, Teca... Todas e as outras todas são Gigi, inteiramente.


Agostinho da Silva homenageado

Amanhã, a partir das 8h30, acontece o encontro O legado e a missão de Agostinho da Silva, no auditório da Reitoria da UnB. A homenagem ao poeta português é do Departamento de Teoria Literária e Literaturas e a programação inclui palestra, mesa redonda, exibição do filme Pensamento Vivo e os lançamentos da revista Nova Águia e do livro Condições e Missão da Comunidade Luso-Brasileira de Agostinho Silva.


Notícias de Iemini

O escritor Giovani Iemini traz duas boas notícias: ele deu entrevisa a Maurício Melo Júnior, no programa Leituras, da TV Senado, e participará, logo mais às 21h, de sarau no Teatro Nacional. Leia sobre a entrevista aqui e sobre o sarau ali.

03 maio 2009

Novo espaço para a poesia de Gu

O poeta-muso Gustavo de Castro está com novo blog, hospedado no site da editora Casa das Musas. Nem parece espaço novo, tão cheio de curta poesia foda. Vale longa navegada. AQUI.

Exposição e livro

O professor Silvio Zamboni lança, no dia 5 de maio, o livro Reflexo Transparência, junto com a exposição fotográfica "Quem tem medo de olhar para cima", no Conjunto Cultural da Caixa de Brasília. A exposição é composta por 43 fotografias com o céu como personagem, em diversas situações. O livro será lançado a partir das 19h e custa R$ 50,00. Mais informações aqui.

19 abril 2009

Eu na REF

A resenha que preparei sobre História de mulheres, de Rosa Montero, pode ser lida no site da Revista Estudos Feminista - REF, da UFSC. O livro traz pequenas biografias de grandes mulheres e a minha leitura passa por uma visão crítica da publicação, sempre muito oportuna, de livros dessa natureza. Acesse aqui.

Novidades pela web literária

A Sala Grumo tem novos ótimos artigos sobre cinema, poemas, resenhas etc. Veja. Novidades na edição 10 da revista eletrônica Casa das Musas: poesia de Edmundo Dantas, entrevistas com José Castello e Daniel Innerarity, reflexões sobre Kafka, contos de Alexandre Marino e Ivette Maria Moura, texto sobre poesia e transparência do grande professor Lunde Braghini e outras coisas. Aqui.

14 abril 2009

FLIP em julho

A sétima edição da FLIP começa no dia 1º de julho deste ano e o homenageado é Manuel Bandeira. Outras informações aqui.

07 abril 2009

Tereza XXVII

Ela não quer ser mulherzinha. Dorme em qualquer lugar, sai de casa com chuva, usa tênis para qualquer ocasião. Não faz escova, quase não usa salto. Não tem frescuras, é forte, séria, dura. Na cama, é doce e toda de seu homem. Goza, inteira, geme, delicada e feminina. Gosta de ouvir que é gostosa, putinha. Dengosa, Tereza não passa de uma mulherzinha.

02 abril 2009

Tieta no Cerrado

Meu amigo Fábio Barreto está no elenco da peça Tieta do Agreste, baseada na obra de Jorge Amado. As apresentações acontecerão amanhã, sábado e domingo na sala Vila Lobos do Teatro Nacional e os preços são R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia entrada com 2 kg de alimentos não perecíveis).

Lançamento de Iemini

Hoje será lançado o livro Mão branca, de Giovani Iemini, cabra com quem já troquei idéias virtuais. Será no bar Viracopos, na 703 Norte, a partir das 18h. O brinde será com cachaça. Vale conferir.

Cordel em exposição

Até 18/4, pode ser visitada a exposição Cordéis & Cordéis, na Biblioteca Central da UnB. São dezenas de exemplares dessa narrativa tão deliciosa. Nem preciso dizer: imperdível.

Registros atrasados

Em 25/3, foi lançado o livro Contistas do Ceará – D’A Quinzena ao CAOS Portátil, de Nilto Maciel. Obra deliciosa, que já tive o prazer de conhecer e comentar aqui.

Na semana de 23/3, a UnB teve duas mostras de filmes imperdíveis: uma sobre a questão racial e outra sobre feminismo. E eu perdi.

14 março 2009

Agora é sério

Quito - Em outubro, a Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales - FLACSO, do Equador, promove o XIX Congreso Anual de la Asociación Internacional de Literatura y Cultura Femenina Hispánica. O tema é Memória e frongeiras e entre os subtemas estão "diáspora e subjetividade nômade", "memórias e corpos migrantes", "literaturas em marcha", "fronteiras temporais" etc. Até 10 de maio, a FLACSO recebe resumos, via conferenciaailcfh2009@flacso.org.ec. Outras informações, aqui.

São Paulo - No próximo dia 18, o projeto Sempre Um Papo recebe Moacyr Scliar. O escritor conversará com o público sobre o lançamento de seu novo livro Manual da Paixão Solitária. Clique aqui para mais informações.

Brasília - Ontem, sexta-feira 13, o poeta Castro Alves foi o homenageado da segunda edição do projeto Palavra Solta, no Café Martinica. Uma vez por mês, um grupo de poetas se reúne para homenagear um autor clássico brasileiro e apresentar versos de sua própria autoria. O projeto teve início com o Poemação, evento realizado dentro da programação da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, em setembro de 2008. (dica de Alexandre Marino)

11 março 2009

Tereza XXVI

Quando tinha oito anos, no pátio da escolinha classe média baixa em Fortaleza, Tereza testemunhou atônita o início de uma briga entre Jorge e José Alcir. Ao ver que os dois se preparavam para o corpo-a-corpo, sem tempo para explicação, ainda que para si, a negra pulou no pescoço de Jorge: 'larga meu amigo!'. O menino, de proporções paquidérmicas, fez um movimento de ombros tal que jogou Tereza longe, perto de uma poça. A briga não aconteceu. E no chão e com lágrimas de ódio no rosto, a menina contemplava os dois de costas caminhando lado a lado para o portão, pensava na surra que levaria do pai e lamentava que José Alcir sequer fosse capaz de cumprimentá-la todos os dias.

22 fevereiro 2009

Último dia para publicação

A revista Scripta, da UFMG, recebe até amanhã, 23/2, artigos, resenhas e entrevistas para publicação. Mais informações (se houver tempo) podem ser obtidas pelo e-mail cespuc@pucminas.br ou pelo telefone (31) 3319 4368.

18 fevereiro 2009

No computer

Namoro sem beijinho, Bochecha sem Claudinho
É a blogueira assim sem internet

Avança pela grande área a leitura de Música para Camaleões. Capote é um dos melhores narradores do século passado, mas o enredo muitas vezes é morto, seco, sem graça. Fico desanimada. Pelo menos é bom saber que a Sala Grumo está atualizada. Veja. E que tem entrevista com Rafael Cortês, do CQC, no Rascunho deste mês. E eu encontrei a Gorducha essa semana e ela me contou que só agora descobriu que o Pensar continua no Correio. Eu, de minha parte, fingi que já sabia e que leio, sempre, a coluna de Sérgio Sá.

01 fevereiro 2009

Sobre Calvino

E recebi na última quinta o livro Italo Calvino - pequena cosmovisão do homem, do querido Gustavo de Castro. O livro foi lançado em 2007, pela editora UnB, e é resultado da pesquisa de doutorado de Gustavo. Já comecei a leitura.

Concurso literário

Até 9/3, estão abertas as inscrições para o 7° Concurso Literário Guemanisse de Contos e Poesias. Veja o edital aqui.

26 janeiro 2009

Tereza XXV

Enfim, ri a negra. E goza, faceira, em braços conhecidos e tenros. "Saravá, seu Sete Encruza, sempre perto, saravá".

Links: para Iemanjá da Pampulha e Grumo

Aqui, linda imagem do meu amigo Rubens Rodrigues. Odoiá. E, aqui, o link da Sala Grumo, de que falei nas últimas notas.

24 janeiro 2009

Na cabeceira da blogueira tem...

...os recém-lançados Contistas do Ceará, de Nilto Maciel, e Encantador de serpentes, do paranaense Solivan Brugnara. O primeiro é um compilado de biografias e contos escolhidos de escritores cearenses do século XIX até a atualidade. Um competentíssimo trabalho do grande Nilto. O livro de Solivan traz poemas lindíssimos e visuais. O espaço é dividido entre Fridas, Marylins, partituras musicais e outros elementos de modo bem instigante.

E terminei há poucos dias Mãos de cavalo, de Daniel Galera. A pergunta que não quer calar: esse menino tem mesmo menos de trinta anos? Ótimo romance, bem costurado, bonito, denso, firme e envolvente.

Novidades na Grumo

Está atualizadíssima a página da Sala Grumo, que reúne poesia, ensaios, crônicas, resenhas de escritores latinoamericanos.

19 janeiro 2009

E toda velha gaivota há de um dia poder
envelhecer com vistas para o mar.
Tereza XXIV

Se dizem que o melhor é abrir o peito e ser forte, Tereza vai, abre o peito e diz que é forte. Se a hora é de sofrer, e dizem "é hora de sofrer", ela sofre. Se permite chorar, recuar. "Seja forte, seja forte" - e ela é a mãe mais forte do mundo. "Ninguém acerta sempre e essa não é a última vez que você vai errar" - e ela se perdoa inteira. "Você pode, você vai conseguir, estou com você" - e ela já não está mais sozinha e pode e consegue.

Pode. Consegue. Pare, sofre, alimenta, cria.

Mas e quando nada dizem?

07 janeiro 2009

Tereza XXIII

Os olhos meia-taça, a essa hora, já não expressam nada. Fôlego. Impaciência. Pele de brilho seco em água fria afundada. Vira o ano, vira o tempo. O marco só serve pra ressaltar o quão ridícula pode ser uma Tereza que acredita num futuro menos sofrido. E próximo. E cheio de amor, paz, saúde e serenidade.

Choro seco brilha lágrima fria. E um xamã russo, mesmo assim, enxerga beleza e luz. Ninguém detém. Segura e fraca. Tereza 2009.

26 dezembro 2008

Tereza XXII

O jingle bells do celular de Tessa foi abafado pelo bafafá da ceia e do amigo secreto. Ao ver a chamada não atendida, a preta imaginou que, do outro lado da linha, havia um amor do passado, desolado, decepcionado, balançando a cabeça ao mesmo tempo em que disfarçava um meio sorriso para a família. "Ela não atendeu". O franco otimismo fantasioso de Tessa havia sido estimulado naquela mesma tarde, num bate-papo de msn entre a moça e o namorado que teve aos 15 anos. No meio do instante de nostalgia, a negra se via absorta em possibilidades irreais, surreais. Deu, na conversa, o que podia e não podia. Resolveu não retornar a ligação. Deixar o passado intacto e belo.

Banal e sem vida?

No blog de Nilto Maciel, H. Lassorian comentou o seguinte:

"Fora a revista 34 que não tem nada de sua autoria, não sei por que, a de n.35 já trás um poema dramático extenso, não é mesmo? "O Boi Santo". Tenho lido ele com muita paciência e penso em fazer um comentário em breve. Pra mim, que leio muitas coisas suas, esse poema é uma novidade... E as mulheres na revista 35 estão matando a pau, isto é, estão escrevendo mais e mandando ver. Li o conto da Valéria Nogueira Eik - Conversa Decisiva - só não gostei do final, um conto que brilha no início e que peca no final pela nebulosidade ou racionalidade excessiva. Li o mini-conto de Clauder Arcanjo - Uma Romântica -, mas não gostei pelo teor machista do mesmo, ou seja, essa de forçar a barra pra cima da mulher já é bem manjado... Liana Aragão me pareceu decisiva nos mini-contos, estilosa, mas banal; seus contos parecem não ter vida... Você pode me achar um pouco chato por só fazer críticas, mas estou sendo sincero... Entre outros comentários que não vou fazer, seria isso, sem tempo, no vento... Escreva quando puder e mantenha o contato, já que seu amigo aqui está realmente sem o velho tempo de outrora... Pena que os colaboradores só querem aplausos. Diga pra eles: saco vazio não para em pé. Falo do apoio à revista. É, você é mesmo um herói, enfrenta as maiores dificuldades para por essa revista na estrada, mesmo com todos os dissabores correntes... Fraterno abraço! H. Lassorian".

Bem, agradeço a leitura e o comentário, mas convido essa pessoa (da qual sequer sei o sexo) a desfrutar de coisas com mais vida (há vida nos meus textos. Talvez não 'vida feliz' ou 'vida extremamente feliz', mas vida há) neste espaço e em outros contos meus espalhados por aí. Sinta-se bem-vind@.

Exposição na Cultura

Se encerra dia 31/12 a exposição Fotografias - Universo Candango, na Livraria Cultura do CasaPark. A mostra traz imagens produzidas por 21 fotógrafos com foco em arquitetura, viagens, natureza e abstrato.

24 dezembro 2008

E-mail que recebi

Prezados leitores, recebi o e-mail abaixo e repasso, sem saber quem é o tal fantasma. Assim, dá até medo, né?

De: texto ghost [mailto:textoghost@gmail.com]
Enviada em: quarta-feira, 24 de dezembro de 2008 07:37
Para: serescritor.escritor@gmail.com
Assunto: Oferta autoral de livros (ghost writer)

Escritor conceituado se predispõe a vender, na qualidade de ghost writter, os direitos totais de livros (inéditos) de sua autoria. No momento, dispõe de 6 livros de ficção (romances e contos) prontos para edição, todos eles com a editoração efetuada (revisão, diagramação e capa).Tal proposta se torna atraente apenas para pessoas com poder aquisitivo suficiente para publicação e divulgação da(s) obra(s).

Ghost writer é um profissional de alto nível que redige textos para terceiros, trabalhando anonimamente. Após concretizada a transação ele desaparece e a propriedade intelectual (a autoria) passa a pertencer ao contratante, que pode dela dispor de acordo com as suas conveniências.

Contatos:

serescritor.escritor@gmail.com
escreverghost@gmail.com
ghostescritor@gmail.com
escritorghost@gmail.com

21 dezembro 2008

Tereza XXI

Com o vibrador na boca, Teca-de-olhos-fechados lembra do sorriso do funcionário da Confederal. Os dedos percorrem a buceta inchada e úmida, fingindo, atores, serem os dedos enormes da mão enorme do segurança de dentes redondos. Teca amanhece gozada, mas não satisfeita. Espera promessas, cheiros, gemidos. E levanta contrariada pra limpar a casa.

As Chicas

Hoje é o último dia para conferir em Brasília o show das Chicas, grupo carioca de música brasileira. Quatro mulheres maravilhosas, cheias de balacobaco, ziriguidum, borogodó. Ótimo show. E o CD é vendido na hora. Hoje, às 19h, no Caixa Cultural (SBS Qd. 4). Veja o site.

Na net

A loja Americanas.com está com boas promoções de DVD. Não sei se entregam até o Natal (pois já me informaram atraso de mercadoria prevista para o dia 19/12). Bons presentes podem ser os livros falantes, gravados em CD. Esses você encontra aqui. E é interessante esse blog.

20 dezembro 2008

Tereza XX

"Se vai chorar, te amo?", analisa Tereza incerta. Pobre espanhola, que ama dentro de uma mentira de amor. Sempre assim, cai a noite e Tereza sai da macumba reflexiva e torta. Rica espanhola-feliz. Ama dentro de uma mentira de amor o seu próprio amor verdadeiro e certo. E não chora. Ama e é amada. Cai o dia e é assim: Tereza, reta, mentirosa e objetiva, diz: "te amo".

14 dezembro 2008

Tereza XIX

Produto 100% atóxico. Validade: indeterminada. Composição: resina, plastificante, silicone, aditivos e pigmento. Tamanho: XL. Cuidados: guardar em local seco e arejado; lavar antes e após o uso, com água e sabão neutro; aconselhamos o uso com preservativos; manter fora do alcance de crianças e de mulheres com bucetas reduzidas. Feliz Natal, Tessa.

Assim com rose

Platéia mínima em plena Brasília-pré-festas. Para fechar 2008, uma ótima peça teatral a preço de banana. Baseada em contos de Mário de Andrade, Assim com rose reúne quatro atores não globais (Flávia Garrafa, Flávio Faustinoni, Renato Modesto e Tânia Castello) de talento incontestável. A presença de palco de todos eles é notória. Só até hoje, no Caixa Cultural.

09 dezembro 2008

Tereza XIII

Quilos e quilos de pó, creme, rouge não disfarçam os quilos e quilos a mais de triste-Tereza-triste. Aos poucos, a preta se desprega de amores antigos. Esta semana foi a vez do menos talentoso escritor de contos de gaveta que ela já conheceu. Magoada, decidiu tirar de vez da sua vida o dono do maior pau do mundo. Afinal, apesar de grande comedor, o cara vomita palavras vazias. Quilos e quilos de desprezo não são capazes de disfarçar, de fazer Tereza sentir-se melhor, quilos e quilos mais fina (e plena).
Mário de Andrade em Brasília

Nos dias 12, 13 e 14/12, Brasília recebe três histórias de Mário de Andrade em forma de peça. Assim com Rose é baseada nas histórias "Vestida de Preto", "Atrás da Catedral do Ruão" e "Peru de Natal", publicadas no livro Contos Novos. A direção é de Jairo Mattos e o espetáculo acontece no teatro do Caixa Cultural (SBS, próximo ao ed. Matriz).

07 dezembro 2008

Slow blog slow

Lamento. Perdi times, deixei de publicar com antecedência alguns lançamentos na cidade, cursos, eventos literários. Mas ainda é tempo de dizer que o maior site de livros usados do Brasil completou três anos. O Estante virtual comemora lembrando que foram mais de 1 milhão de livros vendidos até o momento. Veja mais aqui.

Também posso contar que o site da revista Grumo, que reúne textos latino-americanos, está pronto. Neste momento, poemas de Solange Rebuzzi e Gabriela Marcondes, ensaio de Magalys Fernández Pedroso, crônica de Joca Wolff e resenhas de Daniel Link e Cátia dos Santos. Vale a visita.

E não é tarde para contar que minha amiga Solange Pereira Pinto exibe fotos de sua autoria produzidas ao longo de dez anos. De 13 a 17/12, só vai dar Solange no Café com Letras (203 Sul). O nome da exposição é Retratos e auto-retratos.

Extra! Extra! Blogueira metida a poeta pede desculpas a seu público. Sinceras e dotadas de uma indiferença cara e absoluta, as desculpas espoucam com o estrondo de bolhas de sabão nos ouvidos alucinados dos leitores. No show do maior tropicalista da história, a blogueira se permite venerar um debochador mais debochador que ela mesma. Ri, gargalha. Finge, a blogueira, dissimula, cria personagens, enquanto manga de si e pede desculpas.